domingo, junho 29, 2014

Ravasqueira a bordo da Cathay Pacific

O vinho tinto Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs 2011 foi seleccionado para integrar uma acção de promoção de vinhos portugueses, a realizar a bordo da Business Class dos aviões da Cathay Pacific, a partir de 14 de Agosto, anunciou a empresa.

quarta-feira, junho 25, 2014

O que não como

Estou de dieta e apetece-me um bolo... .
Entro na pastelaria e digo:
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– Bom dia, quero um pastel de nada, por favor.
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– Não será um pastel de nata?
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– Não! É um pastel de nada!
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– Um pastel de nada?
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– Sim, estou de dieta...
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– Não estou a perceber...
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– Oh, senhor... um pastel de nata é como as sardinhas. Ambos são símbolos gastronómicos portugueses... ambos não como... um não devo e outro não posso.
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– Ah! Então quer o quê?
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– Uma bica curta em chávena fria.
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– Aqui tem...
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– Obrigado, mas o seu conceito de curto é igual ao meu de meia chávena.
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– Aqui as bicas curtas são como os pastéis de nada... não existem.
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Nota: Não sei como engavetar esta obra na lista dos conceitos... escultura ou pastelaria? Ou escultura em pastelaria. Vou tentar comunicar com o autor, Sérgio Dias.

Elogio à clínica Dentária de São Paulo – não é publicidade mas seja o que quiserem

Não tenho a certeza se valorizamos a boca, sobretudo por dentro. Desconfio que a boca é como as mães, só nos lembramos quando nos faz falta, por vezes já no outro lado da vida. Tal como uma mãe, a boca alimenta-nos.
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Dentro da boca cabem o doce, o salgado, o amargo, o ácido e o umami, e o prazer que deles se consegue. Mesmo quem não tem prazer ou grande prazer com a mesa tem preferências.
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Supostamente todos os dias lavamos os dentes, pelo menos de manhã e ao deitar. É uma obrigação de higiene e mesmo que não fosse seria de respeito por causa do hálito. Claro que há campeões como o alho ou a cebola, que se guardam e agarram tão bem que nem a pasta mais voraz os consegue retirar completamente.
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Bem, há a obrigação da lavagem, mas lembramo-nos deles quando nos doem e temos de correr para o dentista. Ou quando a velhice nos tira e a mastigação se torna difícil. Há as próteses, pontes, implantes, coroas, aparelhos, a cerâmica, o titânio, o ouro – alguns estarão repetidos, mas de material de boca percebo pouco.
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Por vezes os dentes zangam-se com os alimentos frios e quentes. Dão coices que lançam dores até aos ouvidos.
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Há a língua, que é uma chatice na cadeira do dentista, porque se mexe e dificulta o trabalho ao doutor. Quando a trincamos... ui! Dor tão incomodativa quanto a de morder as paredes da boca.
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A mesa – a boca por arrasto – é uma secretária para negócios vários, seja ela mesmo de tabuleiro e pernas ou seja no chão com os convivas à volta. Julgo que em todos os povos o momento da comida tem alguma solenidade. Do nascimento, ao simbolismo da procriação, que é o casamento, ao falecer.
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Reis e presidentes de república dão recepções em seus palácios em que o banquete é obrigatório quando o convidado é importante e se vai demorar uns dias. Há as chatérrimas conversações para comprar a porcaria dum tapete, supostamente exótico, nos países árabes. As boas-vindas nas tribos de toda a parte. Por aí, por aí e adiante.
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Há o protocolo da mesa, que se divide entre a habilidade de maneio dos apetrechos e o modo de manifestar satisfação ou falta de educação. Mastigar de boca aberta, causando sons pastelados e visões evitáveis, é comum nos portugueses – penso que nem se apercebem ou são procedimentos que estão de tal modo enraizados que não se liga – eu ligo. Há os arrotos que condenamos e outros aplaudem. Há o educado e respeitoso sorver ruidoso e o desagradável sorver ruidoso.
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A boca – se pensarmos bem nela – gosta que as comidas empratadas tenham uma ordem. Não por ritual, mas porque as determinações, convencionadas após experiência, mas porque os sabores vão-se completando e sobem nas intensidades.
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Há bocas que não gostam de vinho e outras que ganham tanto prazer. Alguns bebem de tudo e outros dispensam os aromas e sabores de cartão molhado ou os que lembram estribarias. Quem diz prazer enófilo pode considerar outra bebida.
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Quanto ao álcool existem pessoas que, por segregarem qualquer químico ou não segregarem – não sei – podem beber sem tino, porque o sopro não acusa penalidades nos testes do balão que as polícias efectuam nos auto-stopes ou nos acidentes.
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Quando me nasceram os sisos, os do primeiro andar doeram-me tanto que desejei ser uma ave ou enviar-me para o mundo dos espíritos. Doeram para não dormir uma semana inteira e para chumbar num exame de condução, por ter adormecido ao volante. Não fosse o examinador ter travado e um automóvel bem estacionado teria sido abalroado. Simpático, o senhor engenheiro, como eram conhecidos à época, compreendeu a situação e em vez de me chumbar escreveu que não tinha comparecido ao exame – é que uma reprovação podia (pode) mandar o candidato de volta para as aulas de código da estrada.
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Nessa semana, a do Natal ou do Ano Novo, consegui falar com o meu dentista. Não havia telemóveis nem emails e a clínica estava fechada. Ainda assim dei com ele, que prontamente deixou o descanso para me aliviar. Deu-me uma pirula mágica e a dor desapareceu... até às quatro da manhã, de madrugada, e fiquei em claro. Bem me aconselhou, o doutor, a não fazer exame de condução...
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Foi o meu dentista durante quase trinta anos, mas agora retirou-se. Disse-me, nessa vez, e lembrou-se noutras, que nunca vira sisos tão grandes. Até afirmou que pareciam dentes de burro. Ah pois que doíam como #*£@+$&!
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Desde então que não sei o que é uma dor de dentes. Tenho, por vezes, uns incómodos, umas coceguinhas irritantes... Como dizia, num inquérito televisivo de rua acerca do frio – uma vaga de frio polar, diz-se agora, dantes chamava-se Inverno – um ucraniano:
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– Frio? Frio é na minha terra, na Ucrânia. Isto é talvez fresquinho.
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Assim são as minhas dores de dentes. Doem? Doer foram os nascimentos dos sisos! Apanharam-me a boca, os ouvidos, os olhos, a testa, o humor. Porra! Os de baixo não incomodaram, o que me leva a crer que sou menos burro em baixo do que em cima – não sei se é bom se é mau, mas com a esperteza dos asininos penso que ainda bem, seja o significado o que tiver de ser.
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Bom, não vivo do vinho nem da comida, embora muita gente pense que sim. Ganho a vida a escrever sobre economia e agricultura. Por isso, a boca é-me muito útil. O olfacto também, mas escreverei acerca do nariz quando tiver de ser – só digo que o cheiro a pescado é cicuta e arsénico para nariz e entranhas gástricas.
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O sorriso! O das mães, oh! O das avós, oh oh! O do pai, sem oh! O dos avôs, leve oh! O dos amigos, qual oh?! O do ser amado, oh que dor tão boa! O da sedução, ai! O da auto-estima, hum! O da vaidade, qualquer coisa oh!
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Não me lembrei de escrever sobre a boca porque me olhei ao espelho e conclui o quão belo sou. Tal como os olhos, a boca fala e não me refiro à articulação dos sons, mas ao estado de ânimo.
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Lembrei-me de escrever, há já umas semanas, porque o meu dentista se retirou e eu estava com uma comichão num molar. Segui a sugestão da amiga Sissi e apanhei o metro até ao Cais do Sodré. Atravessei a avenida 24 de Julho, onde a Câmara Municipal de Lisboa se esqueceu de mandar pintar passadeiras para peões e de pôr semáforos, ladeei, pela estrada, a esplanada do Mercado da Ribeira que abusa de todo o espaço, virei à direita e cheguei à Praça ou Largo de São Paulo – acho que é largo, mas na realidade é uma praça e bem simpática, exceptuando o quiosque, onde os empregados são duma antipatia que roça a falta de educação.
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O Largo de São Paulo que, em tempos, frequentei à hora do almoço. Ia porque encontrei paz na Igreja para rezar. Sou cristão não católico e penso que se pode conversar, pedir e agradecer a Deus ou a entidades de superior moral e espiritualidade, mas ali tinha paz e o coração enchia-se.
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A Igreja de São Paulo, de suave barroco, estava a ser restaurada e já conhecia de vista as restauradoras, acho que eram só mulheres. Uma era bem gira, mas não reparava em mim, que estava tão solteiro e carente... ai! Ai, o #*£@+$&! Não gosto de intimidades postas a público e muito menos destas, cruas e verdadeiras.
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De regresso ao passado próximo; estava adiantado na hora e sentei-me nas cadeiras da esplanada do quiosque a beber uma Água das Pedras. Olhava para o número 19 e pensava: que saudades vou ter do meu dentista!... os dentistas são como os mecânicos de automóveis, quando encontramos um que nos satisfaz, mais ninguém nos mete os dedos na boca.
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Chegou a hora, subi ao primeiro andar, puxei a porta no sentido contrário e, como sou burro – confira-se no que disse o meu anterior dentista acerca dos meus sisos – insisti. O material tem sempre razão e cedi à realidade. Entrei e sorriram-me.
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Na mesa de vidro estão dois papéis. Um diz que tem livro de reclamações e outro que tem livro de elogios – tenho de escrever neste.
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Fui intervencionado e voltei. Voltarei até ter uma boca nova.
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Como bem sabeis, nestas crónicas gosto de pôr uma imagem ou um vídeo no blogue joaoamesa.blogspot.com e no infotocopiavel.blogspot.com é obrigatório.
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Não colocarei a imagem referente à clínica, pois seria publicidade e este é um texto de agradecimento aos doutores e à amiga Sissi, que tem um miúdo que conheci desde o berço e hoje é homem feito e alto como o #*£@+$&!
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Não é publicidade, mas devo colocar o linque para o sítio nainternet. É este. Ide, ide quando tiverdes dores ou quando as quereis prevenir.
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Nota: Pintura Bizantina de São Paulo, Escutura de Bernardí Roig, Pintura de Carlo Dolci de Santa Apolónia (padroeira dos dentistas», Vídeo do anúncio à pasta medicinal Couto.

sábado, junho 14, 2014

Ninfa Sauvignon Blanc 2013, Ninfa Rosé 2013 e Ninfa Tinto 2013

QUEM QUISER SALTAR OS PRELIMINARES QUE AVANCE PARA OS TRÊS PONTINHOS POSTOS NA VERTICAL.
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Tive a sorte de ter tido dois grandes professores de português na Escola Secundária de Gil Vicente (Lisboa): Maria Joana Meira e Adalberto de Azevedo. Passados 24 anos (deviam ter sido 26, mas como mudei de área vocacional «perdi» dois anos – mas se soubesse o que sei hoje... ) tenho algumas memórias já esborratadas e outras talvez inventadas – a memória também se inventa e não mente necessariamente – e outras fiáveis, que são as que nunca mudei e sempre contei da mesma forma.
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Maria Joana Meira e Adalberto de Azevedo mais do que leccionaram português e nele espetaram o Luís Vaz de Camões e o seu «Os Lusíadas». Ambos Ensinaram (não costumo pôr maiúsculas em substantivos comuns, mas aqui justifica-se) a obra genial... genial não é por ter dez cantos, estrofes de oito versos com dez sílabas (algumas tónicas)... quem teve qualquer um desses professores  (ou algum grande professor) compreende o que quero transmitir. Tinha 30 anos e presenciei a uma nova revelação: o falecido actor Carlos César deu uma formação, de vários dias, e o material didáctico foi «Os Lusíadas» e os materiais a voz e a interpretação. Pois, o nosso Camões escreveu prosa em verso... já não bastavam a métrica e a rima e o exercício das estrofes.
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Tal como Dom Quixote de La Mancha, Luís de Camões foi um fidalgo de triste figura, certamente presunçoso nos pergaminhos, que maquilhava com engrandecimento o seu baixo grau de nobreza (classe social, entenda-se), que infelizmente teve de bajular o malfadado Dom Sebastião e ver cair Portugal, que tanto enalteceu, definhando no sangue da sucessão, passando dum clérigo para outro e sabendo que o sangue real iria desaguar em Filipe II de Espanha, que foi Filipe I de Portugal – um dos melhores que tivemos por monarca. Morreu Luís Vaz de Camões a 10 de Junho de 1580 e chegou a Lisboa Dom Filipe a 12 de Setembro do mesmo ano (coroado como Rei de Portugal em 1581).
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Esta crónica não é um arengar de memórias, de história e de literatura, mas penso que pode haver por aí uns distraídos que não saiba o que são ninfas. Talvez esteja a ser presunçoso...
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As ninfas são divindades femininas grega clássica – são porque nunca morrerão enquanto houver ideias e cultura – muito ligadas à água e aos rios. As do Tejo são as tágides, a quem Camões pediu inspiração.
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Forçando um bocadinho, estes Ninfa são vinhos do Tejo. Mas há mais: ninfa significava (tanta coisa) botão de rosa. E há uma rosa nestes vinhos, a rosa azul, graal da botânica tal como a tulipa negra – impossíveis como os sólidos impossíveis que António Quintas inventou para os rótulos. Sinceramente, estes vinhos do meu homónimo dão-me um prazer leve de fruição.
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O Ninfa Sauvignon Blanc 2013 não é um raça pura, pois tem, no limite legal para monovarietal, fernão pires (15%). É um vinho bom amigo. É muito mais do que um vinho de splash! Muito mais! Todavia, gostei dele a conversar. Amigo silencioso a que se prestou atenção. Gostei tanto dele assim que não o imagino ligado a um género alimentício concreto... mas assaltou-me, agora mesmo, um queijo de cabra, dos pequeninos e salgados... não sei. Muito fresco quer na acidez quer no que diz ao sentido do olfacto.
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Não gostava de sauvignon blanc... mas mudei de opinião. Para mim, o temperamento cosmopolita combina com a patusca fernão pires.
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O Ninfa Rosé 2013 é outro belo conversador. Pode ir à mesa com os suspeitos habituais e também à areia da praia ou à borda da piscina. Fez-se com uvas alfrocheiro e aragonês, em partes iguais – diz o contra-rótulo, mas não me admirava que por lá exista alguma touriga nacional escondida.
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Touriga nacional tem o Ninfa Tinto 2012, mais alfrocheiro e aragonês (deste não sei as percentagens... mistérios). Tal como os anteriores é um vinho com frescura, não cansa. Acompanha bem... blá blá blá blá blá... já se sabe violeta e cereja.  
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Ninfa Sauvignon Blanc 2013
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Origem: Regional Tejo
Produtor: João M. Barbosa
Nota: 6/10
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Ninfa Rosé 2013
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Origem: Regional Tejo
Produtor: João M. Barbosa
Nota: 6,5/10
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Ninfa Tinto 2012
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Origem: Regional Tejo
Produtor: João M. Barbosa
Nota: 7/10
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Nota 1: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.
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Nota 2: Talvez tenham achado o texto demasiadamente longo, chato, desfocado... paciência. Para mim vinho é mais do que vinho. Diziam os romanos que a viticultura era agricultura inteligente. Ita missa est!
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Nota 3: Luís de Camões pedindo inspiração às tágides - pintura de Columbano Bordalo Pinheiro

sexta-feira, junho 13, 2014

Esporão Verdelho 2013 e Esporão Duas Castas 2013

E porque hoje é dia de Santo António e vem aí o São João e o São Pedro saem a correr dois brancos frescos (frescos, não é gelados) dois brancos do Esporão. Diferentes no carácter e amigos de profissão. Ambos vinhos de divertimento e de mesa com comida. No primeiro caso... cuidado!... De tão bem feitos que são manhosos (de manha no sentido de esperteza e sagacidade)... sobem, sobem.
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Começar a escrever primeiro sobre qual? Pim! Pam! Pum! Cada bala mata um! Verdelho 2013. Muito prazenteiro, sem tonelada alentejana, mas com substancia carnura para trincar. Boa malha!
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Quando falo em carnudo quero sublinhar a capacidade para ombrear com uma carne branca, um grelhado no carvão. Tem frescura e prolonga-se na boca.
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O segundo, o 2 ou Duas Castas... pronto! É o que se sabe! E quem não sabe fica a saber: As minhas provas não são provas, são assumidamente subjectivas, realizadas em momentos favoráveis ao prazer, têm em conta a qualidade intrínseca, mas obedecem à ditadura do opinador... moi même.
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Não sei se a casta antão vaz é obra do Diabo para me castigar ou se é de Deus para me pôr à prova... Tem 70% de gouveio, o que é um alívio. Mas os outros 30% estão lá. E chateiam-me!...
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Benditos 70% de gouveio que me acalmaram!
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Agora mais a sério. O Duas Castas é um vinho irrepreensível. Se o maltrato é mesmo por antipatia com a casta e nada tem que ver com a equipa do Esporão, que é gente que trabalha bem e de forma muito séria, com grande respeito por valores a que dou importância: ambiente, património natural, património cultural e artes.
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Não estou a dar uma no cravo e outra na ferradura ou a desculpar-me pela chalaça – acho que quem me lê habitualmente já sabe desta minha antipatia, recíproca, com a casta antão vaz. Se a casta fosse má ou não resultasse bem ou não agradasse ao público ou fosse de difícil trato no Alentejo ninguém a cultivaria.
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Outra coisa é mentir ou fazer género ou «desculpar»... as regras do blogue já foram apresentadas. Além de estar equilibrado, quero dizer bem temperado, é um vinho que dará prazer a muita gente e gente que sabe apreciar. Disso não tenho qualquer dúvida.
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Podia agora escrever a maçada dos descritores... não sei se alguém compra um vinho por causa dos frutos vermelhos que diz no rótulo ou explica o crítico, nem as flores de laranjeira ou a maçã verde. Esqueçamos isso. Apostem nestes dois vinhos e ganham no convívio e na mesa.
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Quanto a notas... chicote no antão vaz... Lamento, tem de ser... mas a nota é bem positiva (e as positivas começam no 3).
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Esporão Verdelho 2013
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Esporão
Nota: 7/10
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Esporão Duas Castas 2013
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Esporão
Nota: 5/5
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

quinta-feira, junho 12, 2014

Quinta de Pancas Grande Escolha 2011

A Quinta de Pancas é pioneira no trabalho de rigor e qualidade numa região que vai deixando de ser desamada – era Estremadura e hoje é Lisboa, embora chegue a Ourém.
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Se não me foge rigor à memória, ainda antes de pertencer à Companhia das Quintas estava na senda da produção com qualidade.
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Não sei datas, ou não me lembro e não me apetece procurar. A Quinta de Pancas já ganhou estatuto de clássico. Tem vários vinhos e obviamente não valem, em termos de qualidade, todos o mesmo.
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Este, em particular, deu-me bom prazer.
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Como tudo na vida, não somos sempre os mesmos. Já tive o momento da irreverência, já deixei a arrogância (assim espero), já perdi alguns preconceitos, já me libertei de verdades de outros que assumi como minhas – sinal de fraqueza de principiante... e por aí fora, já se percebeu.
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Assim acontece com uma casta deste lote: a cabernet sauvignon. É de facto uma grande casta e consegue manter identidade e uma plasticidade ou elasticidade quanto ao local onde a plantam.
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Criticam-na por muitas coisas e todas elas com lógica e legitimidade. Refiro as duas que mais oiço: ser verdosa e impositiva. Quanto ao verde, parte é característica ou carácter e muito tem de competência e/ou empenho de quem a trabalha. Ainda verdosa como se fosse um pecado e que bom é a fruta e (talvez às vezes) as flores. Sim, é impositiva... e aqui reina a subjectividade do gosto e da encomenda.
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Como tudo o que é notável (não necessariamente um elogio) é alvo grande e apetecível para ataques. Seja, é comum que aconteça. Pois penso que essa notabilidade é justificável – seja aplauso ou apupo – pois é uma grande casta.
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Pois libertei-me de alguns preconceitos e opiniões condenatórias... sim, gosto de cabernet sauvignon, mas não de todo. De monovarietais? Nem por isso, e para todos. Mas sendo tão impositiva, penso que tanto se pode deitar a toalha ao chão e dizer: neste lote ela põe e dispõe... e/ou antes se faça monovarietal. Não sou produtor nem enólogo nem comerciante, que cada um fique na sua.
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Pois neste Quinta de Pancas Grande Escolha 2011 ocupa 35% do lote. A petit verdot tem idêntica percentagem e a touriga nacional os restantes 30%.
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E se disser que a touriga nacional pode ser acusada de crimes semelhantes às do cabernet sauvignon? A seu favor está uma maior elasticidade de comportamentos. Contra, na minha opinião, obviamente, torna-se muitas vezes cansativa. Ora é muitas vezes demasiado frutada, até compotada... ou, pior, excessivamente floral. Houve um monovarietal de touriga nacional que me fez pensar que estava encarcerado num jazido atafulhado das flores oferecidas ao defunto.
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Ok, há a questão da competência e de a saber ensinar a comportar-se, mas isso vale para a touriga nacional como para a cabernet sauvignon como a outra «qualquer».
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Acerca deste vinho... a cabernet domina e não é por causa de ter mais cinco pontos percentuais do que a touriga nacional. Sempre que as senti juntas, França ganha a Portugal. Isso não é nem bom nem mau, é assim... sou gordo e tal não me torna nem simpático nem antipático.
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Gostei do nervo da cabernet sauvignon, masculina, e da delicadeza com personalidade feminina da touriga nacional. Quanto à presença da petit verdot... não me sinto competente para ajuizar o seu papel e desempenho, penso que provavelmente esteja para amenizar o casal, uma espécie de criança, que anima um lar.
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Origem: Regional Lisboa
Produtor: Companhia das Quintas
Nota: 7,5/10

domingo, junho 08, 2014

Festival do Vinho do Douro Superior visitado por 6.500 pessoas

O terceiro Festival do Vinho do Douro Superior, realizado de 30 de Maio a 1 de Junho, em Foz Côa, foi o mais visitado de sempre, com um total de cerca de 6.500 pessoas. O evento, da responsabilidade da autarquia e organizado pela Revista de Vinhos, contou 72 stands no pavilhão de exposições Expo Côa.
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No âmbito do Festival do Vinho do Douro Superior realizou-se o tradicional concurso de vinhos desta sub-região do Douro. Muxagat Os Xistos Altos Rabigato Branco 2011, Quinta da Touriga Chã Tinto 2011 e Quinta do Vesúvio Porto Vintage 2012 foram os três grandes vencedores. Em prova estiveram cerca de 150 vinhos, que foram avaliados por um júri de 26 elementos.
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VINHOS BRANCOS
Melhor Vinho - Muxagat Os Xistos Altos Rabigato 2011 (Muxagat Vinhos)
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Medalhas de Ouro:
Valle do Nídeo Sauvignon Blanc 2013 (H. Abrantes - Douro Wines)
Duas Quintas Reserva 2011 (Adriano Ramos Pinto Vinhos)
Quinta da Canameira Rabigato Reserva 2010 (Sampaio e Melo Cabral)
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VINHOS TINTOS
Melhor Vinho - Quinta da Touriga Chã 2011 (Jorge Rosas Vinhos)
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Medalhas de Ouro:
Quinta do Vale Meão 2011 (F. Olazabal & Filhos)
Excomungado 2011 (Quinta Vale de Pios)
Dona Berta Sousão Reserva Especial 2011 (Hernâni Verdelho)
Quinta da Leda 2011 (Sogrape Vinhos)
Palato do Côa Escolha 2011 (5 Bagos)
D. Graça Grande Reserva Selecção Privada 2011 (Vinilourenço)
Pathernos Grande Reserva 2009 (Cabanas do Castanheiro)
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VINHOS DO PORTO
Melhor Vinho - Quinta do Vesúvio Vintage 2012 (Symington Family Estates)
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Medalhas de Ouro:
Barão de Vilar Colheita 1989 (Barão de Vilar - Vinhos)
Duorum Vintage 2011 (Duorum Vinhos)

Montinho de São Miguel Reserva 2012 recebe Grande Ouro em Bruxelas

O vinho tinto Montinho São Miguel Reserva 2012, produzido pela Casa Agrícola Alexandre Relvas (CAAR), foi distinguido com a «Grande Medalha de Ouro» na edição do Concurso Mundial de Bruxelas.
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Em comunicado, a empresa informa que mais cinco vinhos da CAAR foram distinguidos com medalhas de Prata: Herdade São Miguel Colheita Selecionada Branco 2013, Pimenta Preta 2012, Montinho São Miguel 2013, Segredos São Miguel 2013 e Atlântico 2013.