quarta-feira, novembro 03, 2010

Casal Figueira António Vinhas Velhas 2009

Já muita gente elogiou o talento e a mestria de António Carvalho, que partiu jovem. Fica este texto como mais uma homenagem ao enólogo e produtor, pessoa que nunca conheci pessoalmente e que, pelo que me foi dado a conhecer através de outros, merece muita estima.
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Perdida a propriedade em A-dos-Cunhados foi preciso encontrar novo poiso. A escolha recaiu numa propriedade na Serra de Montejunto. A morte prematura fez a família repensar a vida e Marta, a mulher, acabou por decidir avançar para o mundo dos vinhos. Esta homenagem, assinalada simplesmente com o nome próprio do homem que foi a alma do Casal Figueira, faz justiça ao trabalho e empenho.
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Nasceu de vinhas velhas da casta vital, bem tradicional, portanto. Este vinho lembra-me muita coisa… e não é coisa simples. Memórias do campo, que conheci longe de Lisboa? Não! Viagens de estudo no liceu… ou por essa época… pelos arredores da capital. Campo, sim. Nos aromas rústicos.
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No nariz revelou pedra, ervas em vias de amarelecerem, flores (que não consigo identificar), pão… na boca mostrou-se complexo, não desiludindo o que apresentou no olfacto. Conseguiu, simultaneamente, ser doce e seco… rebuçado na entrada, seco e minérico à saída. Final médio longo e de bela acidez.
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Origem: Regional Lisboa
Produtor: Casal Figueira
Nota: 7,5/10

terça-feira, novembro 02, 2010

Quinta das Bágeiras Garrafeira Branco 2008

Mário Sérgio Alves Nuno é um produtor fixe! Simpático e acessível, emana simpatia. Assim são os seus vinhos: felizes. Este garrafeira é um vinhaço, para beber já ou guardar mais uns anos. Gosto dos Bairradas com tempo.
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Um vinho desalinhado com muito do que se anda a fazer pelo país. A tradição vale o que vale e não é, só por si, sinónimo de qualidade. Neste caso é uma mais-valia. Reconcilia o paladar com algumas memórias.
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No nariz evoca muito a madeira nas suas nuances, com finura de aroma de adega. Na boca mostra-se fresco e escorregadio mas exigindo vagares. Boa acidez.
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Origem: Bairrada
Produtor: Quinta das Bágeiras
Nota: 7,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Bétula 2009

O perfil é uma continuação da vindima anterior, mas eventualmente menos forte na fruta. Nota-se uma finura de fumo e outra de baunilha. O mineral da região também presente. Fica-se bem, sim senhor, com este viognier mais sauvignon blanc.
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Afirmo mais uma vez aqui que me irrita a presença de castas estrangeiras no Douro. Se ainda viesse daí algo de extraordinário… neste caso, o resultado é feliz, mas não extraordinário. Excelente, sim. Vale no marketing, certamente… pela suposta novidade. Excelente, sim senhor. Mas excelentes até que há alguns no Douro.
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Origem: Regional Duriense
Produtor: Quinta do Torgal
Nota: 7/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

domingo, outubro 31, 2010

Primeira Paixão Verdelho 2009

Depois da surpresa do 2008, desta vez confirmo o agrado. Muito fresco… giro de se beber, arejado. Feliz no acompanhamento de comida, experimentei com carne de aves. Um pouco menos efusivo no nariz do que a edição anterior, continua com notas tropicais. Acidez feliz e corpo suficiente.
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Origem: Regional Madeirense
Produtor: Paixão do Vinho
Nota: 7/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

sábado, outubro 30, 2010

Guadalupe Tinto 2008

É um vinho para prazer imediato e descontraído. Bem feito, tem algum interesse tendo em vista o tipo de vinho a que pertence. No nariz mostra-se fresco, descomplicado. Na boca é maciozinho. Não tem muito para contar, mas também não era suposto.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Quinta do Quetzal
Nota: 5,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Quinta da Ponte Pedrinha Vinhas Velhas 2007

É elegante, este vinho. Aliás, o Dão é conhecido por essa característica. Este vinho tem a região lá dentro. Muito sedoso, preenche a boca calmamente. Boa acidez. No nariz canela, cravinho e violetas.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Ponte Pedrinha
Nota: 6/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Quinta da Ponte Pedrinha Reserva Tinto 2005

Num país em que se teima em mandar para o mercado vinhos impreparados (certamente devido aos problemas de tesouraria dos produtores), eis que me chegou um vinho que me deveria ter chegado um ano ou dois antes… vamos bebê-lo já, porque mostra sinais de quem se vai cansar depressa.
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Aberto já, ainda em vida, dá prazer. Mas não deslumbra. Muito macio, sedoso, deu-me pouca luta. No nariz gostei mais… xarope, maçã assada e alguma ameixa preta.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Ponte Pedrinha
Nota: 5,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

Quinta da Ponte Pedrinha Reserva Tinto 2005

Num país em que se teima em mandar para o mercado vinhos impreparados (certamente devido aos problemas de tesouraria dos produtores), eis que me chegou um vinho que me deveria ter chegado um ano ou dois antes… vamos bebê-lo já, porque mostra sinais de quem se vai cansar depressa.
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Aberto já, ainda em vida, dá prazer. Mas não deslumbra. Muito macio, sedoso, deu-me pouca luta. No nariz gostei mais… xarope, maçã assada e alguma ameixa preta.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Ponte Pedrinha
Nota: 5,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Conde de Vimioso Reserva Tinto 2007

Cada pessoa tem as suas manias. Tenho as minhas, obviamente. Tenho as minhas ideias. Esta está mais do que provada que é um preconceito de nome. Tenho a impressão que não gosto lá muito dos vinhos de João Portugal Ramos. Mas basta ver as minhas notas para perceber que tal não é verdade. Tenho dito.
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Na prova organizada pela Força Motriz, este foi o que mais me agradou, tem estilo. Pinta. Não é um pintas, mas tem pinta. Carácter. Tem Ribatejo.
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No nariz revela ginja, ameixa, fumo e uma agradável presença de menta. A ameixa prolonga-se na boca, assim como as notas tostadas. Taninos domados, mas presentes e vivos.
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Falua
Nota: 7,5/10

terça-feira, outubro 26, 2010

Marquesa de Cadaval 2007

Mal peguei na garrafa e apanhei um tiro! Mas por que raio hão-de fazer garrafas tão pesadas? Bem sei que a percepção inconsciente indica que o vinho é bom quando a garrafa se faz sentir nos bíceps. Então e a pegada ambiental? Olhem que a menor pegada ambiental também ajuda a vender… pelo menos na Europa com o défice orçamental controlado.
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Passado este aspecto negativo, que nada tem a ver com o vinho, mas com o marketing, o que tenho a dizer? Digo que gostei, mas que a garrafa pesada torna o produto pretensioso… A gota não joga com a perdigota. Lá estou eu outra vez a desviar-me do vinho e a bater no ceguinho.
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O vinho foge à imagem do ribatejano clássico. Penso que o carisma ajudará a vender, dentro e fora de portas. Vinho contemporâneo. Notei-lhe ginja e madeira polida. Na boca troquei de fruta e pressenti-lhe mais ameixa preta. Taninos com elegância e acidez feliz.
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Origem: Ribatejo
Produtor: Casa Cadaval
Nota: 7/10

segunda-feira, outubro 25, 2010

Casa Cadaval Trincadeira Vinhas Velhas 2008

Prazenteiro. Guloso. Mas um pouco desequilibrado. Achei-o com demasiada madeira… e eu que gosto de madeira!... Na boca mostrou-se um pouco mais interessante, a lembrar ameixa preta. Acidez fixe e taninos baris.
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Casa Cadaval
Nota: 6,5/10

domingo, outubro 24, 2010

Falcoaria Tinto 2006

Bem. Esteve bem, sim senhor. Apreciei. Porém, há que dize-lo, menos apaixonante do que estava à espera, tendo em vista o apresentado aqui há uns dias.
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Apreciei-lhe o nariz, com a menta, o fumo e o ligeiro couro. Taninos amestrados, mas mostrando-se.
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Origem: Ribatejo
Produtor: Quinta do Casal Branco
Nota: 6/10

sábado, outubro 23, 2010

Vale d’Algares Selection Tinto 2008

Um vinho um pouco mais austero que o colocado aqui ontem. Mantém-se o perfil equilibrado e jovem (por que será? ;-) ). Nota-se ameixa preta e fumo, em feliz harmonia. Taninos bem domados e boa acidez.
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Vale d’Algares
Nota:6,5/10

sexta-feira, outubro 22, 2010

Guarda Rios Tinto 2008

Digo bem deste vinho e, contudo, tenho o enólogo (Pedro Gonçalves Pereira) à perna, porque digo que não é vinho que me deslumbre, por não ser bem o meu estilo. Prometeu-me uma prova cega para me evangelizar… estou para ver.
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Vinho consensual, fácil e afinado. Equilibrado e sem ser efusivo no nariz, mas com fruta presente, e nota da madeira, sem que esmague o todo. Boa acidez.
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Vale d’Algares
Nota: 6,5/10

quinta-feira, outubro 21, 2010

Quinta da Alorna Touriga Nacional – Cabernet Sauvignon Reserva 2008

Por vezes gosto de cabernet sauvignon… não é casta que me apaixone propriamente. Neste achei que estava um pouco presente demais. Mas não o tornando negativo, de modo algum.
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O cabernet dá-lhe notas vegetais, a que se soma um toque mentolado. Na boca mostrou elegância, característica positiva e omnipresente nos vinhos de Nuno Cancella de Abreu.
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Quinta da Alorna
Nota: 6,5/10

quarta-feira, outubro 20, 2010

Falcoaria Reserva Tinto 2007

Este foi dos mais interessantes vinhos provados na apresentação realizada pela Força Motriz. Bem sei que a casa tem tradição e pergaminhos, mas, ainda assim, provei alguma surpresa.
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O começo foi difícil, abrindo-se com vagar. Depois mostrou ameixa preta e fumo. Gostei da acidez e dos taninos marcados. Vai valer a pena guardá-lo por mais um tempo.
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Origem: Ribatejo
Produtor: Quinta do Casal Branco
Nota: 6,5/10

terça-feira, outubro 19, 2010

Grand’Arte Trincadeira 2006

Embora não sendo, exactamente, o meu estilo de vinho, tenho, claramente, de lhe reconhecer virtudes. Desliza bem, mas não surpreende. Nota-se o Ribatejo na alma, sem que isso queira dizer bem ou mal.
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No nariz revela cereja e fumo. Pela boca não me apaixonei, achando-lhe uma certa falta de acidez.
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Origem: Regional Tejo
Produtor: DFJ
Nota: 5,5/10

segunda-feira, outubro 18, 2010

Falcoaria Fernão Pires Branco 2008

Neste branco gostei lhe sentir a madeira, que, contudo, não esmagou a fruta branca que apresentou. Travo seco e bastante frescura.
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Quinta do Casal Branco
Nota: 6/10

domingo, outubro 17, 2010

Quinta da Alorna Verdelho 2009

Este branco, ou melhor o verdelho, é uma estreia da casa. Interessante mas sem grandes surpresas. Notas de banana, sem que isso tolde a vontade de o beber.
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Quinta da Alorna
Nota: 5,5/10

sábado, outubro 16, 2010

Vale d’Algares Selection Branco 2009

Continuo fã dos brancos de Vale d’Algares. Fáceis, descomplicados, bons para serem bebido à conversa ou a acompanhar um prato leve. Vinho também é diversão e este é bem disposto.
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No nariz revela algum rebuçado, que se vai esbatendo em notas mais tropicais, mas sem massacrar. Na boca vai bem, sem desiludir o que se previa no aroma.
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Vale d’Alagres
Nota: 6,5/10

sexta-feira, outubro 15, 2010

Prova de vinhos do Tejo

Há um domingo ou dois (dois) aconteceu no Wanli (a minha chafarica de difícil definição, pois não bar nem casa de chá nem café nem sítio de vinhos – chamo-lhe sala de estar) uma pequena prova de vinhos do Tejo (nova forma de dizer regional ribatejano), organizada pela Força Motriz, empresa de comunicação do grande (também em tamanho) André de Quiroga.
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Ao todo foram testados 13 vinhos, tendo um sido chumbado devido a TCA, vulgarmente designado por cheiro a rolha (Grand’Arte Trincadeira 2004).
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As notas situaram-se num intervalo curto, entre o 5,5 (bom/muito bom) e o 6,5 (muito bom/excelente). Para acentuar a regularidade, refira-se que só dois vinhos foram classificados com 5,5. Dois outros ficaram com 7 (excelente) e 7,5 (excelente/fantástico). Ou seja, oito situaram-se entre os 6 e os 6,5.
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A ordem de apresentação aqui no blogue não segue qualquer hierarquia, exceptuando os dois melhores classificados, que virão em último. Este texto serve de introdução às notas, que começaram a ser publicadas amanhã e até 27 de Outubro, sempre pelas 15h00.

Pontual ou Pontval – 10 anos

Quando era miúdo entrou-me uma música para o ouvido e que volta e meia bate-me nos tímpanos imaginários, não no das orelhas. Cantada pelo Paulo de Carvalho, a letra dizia que 10 anos é muito tempo, muitos dias, muitas horas a cantar.
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Bem, a música não tem nada a ver com os vinhos Pontual. Só os 10 anos é que rimam. O meu amigo Paolo Nigra organizou ontem, 14 de Outubro, uma prova quase horizonte, quase vertical dos seus vinhos para assinalar a década.
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O acontecimento deu-se na parte do palácio do Hotel Albatroz, em Cascais. A comezaina foi confeccionada por Vítor Claro, que só pecou pelo sal um bocado abusivo. Mas esteve muito bem o chefe.
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Os vinhos apresentados foram de diferentes anos e mostraram evoluções diferentes, como é óbvio. Não irei entrar aqui em pormenores, até porque não foi uma prova nos moldes tradicionais… os vinhos foram todos apresentados com comida.
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Tem-se a ideia, pelo menos a maioria dos enófilos tem, ou muitos deles, que os vinhos alentejanos não dão muito para serem guardados. A situação não deixa de ser um pouco verdade, mas há excepções. Os Pontual mostraram, neste almoço, que estão nessa categoria.
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Dos vários vinhos apresentados, os meus nariz, boca e coração fixaram-se em dois: Pontual Syrah 2003 e, mais, Touriga Nacional – Trincadeira 2001. Aplauso!

domingo, outubro 03, 2010

Caravaggio Shiraz 2008

Os meus amigos AS e RM trouxeram-me de Malta este tinto. Nunca tinha experimentado um maltês. Assustei-me com a tampa de roscas, coisa que me irrita. Preconceitos? Sim, claro. Patriotismo? Sem dúvida. Mas afinal, num vinho que não se quer de guarda, tem alguma lógica. Contudo embirro.
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Porém, gostei deste vinho que no rótulo apresenta um cavaleiro da Ordem Soberana de São João do Hospital. Apesar da rosca.
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No nariz lembra algum couro, fumo de lenha (o que é complicado de definir), uma leveza de resina e, sobretudo, chocolate preto. Na boca é suave, macio, muito fácil, para beber sem pretensões.
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Origem: Malta Superior
Produtor: Marsovin
Nota: 5,5/10

terça-feira, agosto 31, 2010

Vinho e astronomia

Há vinhos estratosféricos, pelo menos no preço. Há vinhos doutro planeta. Até vinhos do outro mundo. Portanto, há ligações entre o vinho e a astronomia.
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Bem, esta é apenas uma brincadeira para introduzir um tema que me parece interessante e que, se fosse em Portugal, gostaria de experimentar: a harmonização entre o vinho e a astronomia. Essa é a ideia da Astrovitis, empresa que me contactou.
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Para já, as acções estão restritas ao Brasil... o espaço visto da parte debaixo do mundo é diferente. Se lá podem harmonizar o vinho com o Cruzeiro do Sul, deviam vir a Portugal exemplificar com a Ursa Menor.
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Os cursos são ministrados por uma enóloga e um astrónomo. A iniciativa culmina com um jantar, pois estava-se mesmo a ver. Fico à espera que organizem uma «festa» em Portugal.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Vallado Moscatel Galego 2009

Numa apreciação geral, gostei bastante deste vinho. Descomplicado, prazenteiro. Não original. Não surpreendente. Mas... ainda... coisa rara. A casta ainda não anda gasta. Bem sacado.
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Gostei da casca de laranja do aroma. Na boca gostei da secura. Apreciei a presença mineral. Não gostei da acidez, desiludiu-me.
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Foi bem com polvo salteado em azeite, acompanhado por amêijoas. Foi bem com o injustamente acusado de ser «o melhor bolo de chocolate do mundo».
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Origem: Douro
Produtor: Quinta do Vallado
Nota: 6/10

terça-feira, agosto 17, 2010

5 grandes velhos Dão e outro nem tanto

Chegou, finalmente, o momento de terminar o rol de vinhos apresentados, provados e bebidos no The next big thing. Para fechar com chave de ouro, apresentam-se vinhos com idade (e jovialidade), brancos e tintos.
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Todos eles produzidos no Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, em Nelas... não sei onde se guardam, mas se soubesse forçaria a fechadura para trazer alguns para mim.
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Começo pelos brancos: 1980 (nota 6), o mais fraco dos antigos. Mostrou algum cansaço, mas ainda dá prazer. 1992 (nota 8) revela evolução, mas mantém características florais, minerais e algum verniz, na boca mineralidade e toque doce. 1971, orgásmico (nota 9). Aromas evoluidos, mas com flores ainda na pradaria, mineral, alfarroba, chocolate negríssimo, avelã, fresco, seco, cítrico, muito elegante.
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Agora os tintos: 1971 (nota 8,5) revelou cera e bolacha, mas também frescura, na boca seco, com finura ácida, madeira, muito elegante. 1970, orgásmico (nota 9)... mogno, cera e um pouco de verniz, caramelo, alfarroba. Boa acidez, grandes taninos, grande final de boca!
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Um caso á parte: quase duplo orgasmo (9,5), a colheita de 1963. Que cor! Que jovialidade. Revelando aromas intensos, frescos, ervas, alfarroba, alcaçuz, caramelo, ameixa preta em passa. taninos generosos, acidez fantástica. Final de boca de sonho. Quero mais!

segunda-feira, agosto 16, 2010

Quinta da Falorca Garrafeira 2003

Mais um belo vinho do Dão, feito com touriga nacional (70%) e alfrocheiro (30%). Notou-se alguma evolução... resina... floral, mineral, pontuado com alguma fruta madura. Apreciei.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Falorca
Nota: 7,5/10

domingo, agosto 15, 2010

Flor das Maias 2007

Mais um belo vinho do Dão! Feito com touriga nacional (85%), alfrocheiro e tinta roriz. No nariz aparece erva e fruta vermelha. Na boca, compota de frutos vermelhos. Fácil de se gostar. taninos bem presentes e boa acidez. Grande final.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta das Maias (Quinta dos Roques)
Nota: 8/10

sábado, agosto 14, 2010

Torre de Tavares Jaen 2007

Pois se gostas… isso encanta-me! É 100% jaen. Estagiou um ano em barricas de carvalho francês (70%) e americano (30%). Primeiro, achei-o um pouco químico, mas foi embate brevíssimo. O aroma ficou mais consistente e complexo: Erva, caruma, laranja, terroso e chocolate preto. Taninos cheios de vida e personalidade. Grande promessa.
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Origem: Dão
Produtor: Casa Tavares de Pina
Nota: 8/10

sexta-feira, agosto 13, 2010

Terra de Tavares Reserva Tinto 2006

Para não beneficiar este produtor com muitos textos (para mais foi o organizador do The next big thing), vou só escrever um texto sobre um reserva, neste caso o de 2006. Darei, contudo, as notas atribuídas aos de 2003, 2005 e 2007… os quatro anos mostraram grande regularidade, embora tenha tido uma maior preferência ao de 2006. Todos receberam nota 7,5. Por isso, devia escrever três textos, mais o outro que há-de vir amanhã. Mas o que é mais, é demais. Fiquemos por um reserva.
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O ano de 2006 foi dado como perdido no Dão. Foi complicado. O produtor desacreditou… mas com o tempo veio a surpresa. A coisa ficou bem no retrato. Fez-se em partes iguais de touriga nacional e jaen, as castas da predilecção (ao que consta) de João Tavares de Pina.
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O nariz é complexo, com a presença de menta, flores e fruta vermelha. É adstringente, muito. Boa acidez, bom final. Guloso na boca, com notas de chocolate (muito) preto.
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Origem: Dão
Produtor: Casa Tavares de Pina
Nota: 7,5/10

quinta-feira, agosto 12, 2010

Casa de Mouraz Private Selection 2006

Este vinho conheceu um ano de barrica (80%) e estágio em cuba de inox (20%). As castas são muitas, porque as vinhas velhas andam baralhadas... touriga nacional, jaen, água santa... tem taninos bem presentes, polidos e elegantes. O nariz é complexo, um prado de vários aromas vegetais, flores e chocolate.
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Origem: Dão
Produtor: Casa de Mouraz
Nota: 7/10

quarta-feira, agosto 11, 2010

Quinta da Bica Reserva Tinto 2005

Gostei mais deste do que o seu irmão um ano mais velho, embora conheça o mesmo estilo, o que é bom para saber ao que se vai. Mostrou-se fresco no nariz, com erva cortada, mas também notas de madeira. Mostrou bons taninos e acidez.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Bica
Nota: 7/10

terça-feira, agosto 10, 2010

Quinta da Falorca Reserva Tinto 2004

Tem quase tudo o que o Dão tem para dar e fez-se com touriga nacional (60%), alfrocheiro e tinta Roriz. Conheceu madeira, 50% já usada. É guloso, com compotas e chocolates. Taninos bem temperados.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Falorca
Nota: 7,5/10

segunda-feira, agosto 09, 2010

Lagar de Darei Grande Escolha Tinto 2004

Este apaixonou-me! Que revelação. Parece que foi feito para mim, para a minha boca, nariz, sensibilidade e estado de espírito. É mesmo como eu gosto. Taninos fantásticos, robustos, imperiais. Que acidez!... Grande final de boca. Promete vir a ser um grande Dão daqui por uns anos (já o é).
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Origem: Dão
Produtor: Lagar de Darei
Nota: 9/10

domingo, agosto 08, 2010

Lagar de Darei Reserva Tinto 2005

É talvez dos vinhos com melhor relação entre facilidade e carisma deste produtor. Mostra-se muito fresco no nariz, com nota também de fumo. Os taninos enchem a boca toda. A acidez faz-se presente. Apesar do que escrevi acima, penso ser muito fácil de agradar, haja comida certa para lhe dar. Acompanhará bem um bacalhau com broa.
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Origem: Dão
Produtor: Lagar de Darei
Nota: 7/10

sábado, agosto 07, 2010

Quinta da Fonte do Ouro Reserva Tinto 2008

Este é talvez o mais diferente dos vinhos do Dão que provei durante o The next big thing. Isso não é nem bom nem mau, é apenas isso, diferente. Achei-o mais alinhado com a moda, dos doces e compotados. Porém, tem a região lá dentro.
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No nariz revela fruta madura, fumo, frescura. Os taninos têm personalidade e a acidez é boa. Gostei do final. É muito fácil de se gostar.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Fonte do Ouro
Nota: 7/10

sexta-feira, agosto 06, 2010

Quinta dos Roques Garrafeira 2003

No nariz mostra couro e madeira pouco fumada. Tem boa acidez e bom final. Taninos com personalidade e frescura. Muito fixe!
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Origem: Dão
Produtor: Quinta dos Roques
Nota: 8/10

quinta-feira, agosto 05, 2010

Lagar de Darei Grande Escolha Branco 2009

Mais um vinho com grande potencial de evolução. Bebam-no agora, guardem outras para diferentes anos. As castas são as tradicionais: encruzado, bical, malvasia fina, cercial e verdelho. O nariz mostra-se floral, mas com alguma fruta tropical (felizmente sem qualquer exuberância, só tempero) e fumo. Fermentou em balseiros e estagiou em barricas de carvalho francês. Na boca é algo doce, com notas suaves de maracujá.
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Origem: Dão
Produtor: Lagar de Darei
Nota: 7/10

quarta-feira, agosto 04, 2010

Quinta dos Carvalhais Único 2005

O nariz revela notas de madeira, de casca de árvore não verdosa, seca… ocorre-me sobreiro… o que quer dizer carvalho, pois ambas são quercus. Revela ainda fruta vermelha madura. Na boca revela-se elegante, com compota e fumo.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta dos Carvalhais (Sogrape)
Nota: 7/10

terça-feira, agosto 03, 2010

Quinta da Vegia Reserva 2007

Este conheceu cinco meses de madeira (carvalho francês usado) e não se lhe nota falta de mais. Alguma outra por lá anda, mas veio dos taninos. Nariz complexo, floral, compota de cereja, folha de chá e, pasme-se, granito… e não é que o berço das uvas é mesmo desta rocha vulcânica?!... A mineralidade prossegue na boca, acompanhada pela compota e chocolate. Muito gastronómico, taninoso forte, boa acidez… vai dar que falar, há-de, há-de…
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Origem: Dão
Produtor: Casa de Cello
Nota: 8/10

segunda-feira, agosto 02, 2010

Quinta do Perdigão Touriga Nacional 2006

Floral como as tourigas do Dão sabem ser. Mostra fumo ligeiro e muita mineralidade. Taninos elegantes e boa acidez. Revela-se um pouco doce, de fruta, na boca, nomeadamente ameixa preta.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta do Perdigão
Nota: 8/10

domingo, agosto 01, 2010

Vinha Othon Reserva 2006

Fresco, mineral, com notas de couro, flores e alguma baunilha. Na boca mostra compota de ameixa preta e alguma cereja. Taninoso, elegante, com boa acidez e bom final. Fez-se com as uvas de uma vinha velha, com cerca de um hectare, de 60 anos, onde pontuam a tinta Roriz, o alfrocheiro, a jaen e a touriga nacional. Estagiou nove meses em barricas de carvalho americano.
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Origem: Dão
Produtor: Vinha paz
Nota: 8/10

sábado, julho 31, 2010

Vinha Paz Reserva Tinto 2007

As florzinhas, de início tímidas, abrem-se com o tempo. Surgem também notas de fumo. Taninoso e com boa acidez, promete muita elegância e longevidade. Fez-se com touriga nacional (80%), alfrocheiro e jaen.
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Origem: Dão
Produtor: Vinha Paz
Nota: 7,5/10

sexta-feira, julho 30, 2010

Lagares do Cerrado Touriga Nacional Grande Escolha 2004

Num primeiro embate revela madeira (70% carvalho francês, novo, e 30% português, segundo ano). Depois revela-se mais floral. Na boca é doce, algo como compota de ameixa. Com taninos fortes e forte acidez. Promete grandes dias.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta do Cerrado
Nota: 7,5/10

quinta-feira, julho 29, 2010

Quinta das Estrémuas Touriga Nacional 2004

Como a designação indica… é um monovarietal e a 100% da casta rainha de Portugal. Promete durar e durar. Tem um nariz muito fresco, floral, com muita mineralidade. Taninos fortes, bela acidez, notas de chocolate.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta das Estrémuas
Nota: 7,5/10

quarta-feira, julho 28, 2010

Quinta do Perdigão Reserva Branco 2009

Com a floralidade (esta palavra não existe, eu sei) típica do Dão, mas com uma leve linha de sóbria tropicalidade. Muito elegante. Travo algo doce, mas temperado com a acidez lá da terra. Muito fresco.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta do Perdigão
Nota: 7/10

terça-feira, julho 27, 2010

Casa de Mouraz Branco 2009

Um vinho floral, mas com notas complementares de maracujá. Bastante mineral. Boca com boa acidez, com um toque doce e final agradável. Fez-se com as uvas brancas tradicionais do Dão: malvasia fina (predominância), encruzado, cercial e bical.
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Origem: Dão
Produtor: Casa de Mouraz
Nota: 6/10

segunda-feira, julho 26, 2010

The next big thing - introdução às notas de prova

Nos próximos dias irei postar aqui no blogue textos acerca de alguns vinhos provados durante o The Next Big Thing. Não poderão ser todos, porque seria demasiado e fastidioso (ler e escrever). Vão apenas os que mais me impressionaram, embora as notações tenham sido todas muito boas, indo a mínima no bom (5 – que não será postado) até ao orgásmico (9). Vai um 6 e a partir de 7... quase todos.
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Os vinhos provados revelaram uma grande capacidade de evolução. Bebam-nos agora, para ajudar a tesouraria e a vida dos produtores, mas guardem algumas garrafas para contentamento (maior) no futuro. Beber agora alguns destes vinhos é quase pedofilia vínica… prometem grande maturidade vínica.
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Outra coisa que é notória é o valor pedido pelos produtores e a indicação de preço de venda ao público. O Dão está desvalorizado… ou, melhor, está com preços mais acessíveis do que outras regiões. Estes talvez sejam os preços justos. Para ser prático e objectivo, sem conjecturas de poesia sobre o que devia ser o mundo (dos vinhos em Portugal), olhando para o que por aí se pede e o que oferece esta região, os vinhos do Dão estão baratos.
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Lá virá aquela coisa que evito entrar, que é a da relação entre a qualidade e o preço… mas não pode deixar de se referir que há vinhos de 10 euros com notas de 8, vinhos de 3 euros com notas 6… e por aí fora. Há que fazer pela vida, a crise está aí e é preciso fazer dinheiro para pagar o dia-a-dia.
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Bem, amanhã começa a vida… leia-se, o rol de notas de prova dos vinhos do Dão.

Dão - The next big thing - A próxima coisa em grande!

Num país onde a incompetência e a preguiça compensam, cabe, muitas vezes, a quem não tem obrigação fazer o trabalho de quem deve, mas pouco ou mal sabe fazer. Um produtor de vinho deve tudo fazer para promover os seus produtos, é lógico. Pode estar interessado em associar-se com outros vitivinicultores para acções de divulgação. O que não pode é estar sozinho sem apoios de quem deve.
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Em Portugal, quando se promove uma região vitícola, juntam-se todos em barraquinhas ou colocam-se os vinhos em cima de um balcão e toca de servi-los. Acções que não diferenciam o bom do mau, a quinta da cooperativa. Em vez de se potenciar a qualidade, promove-se a mediocridade. É uma opção marxista a de tratar por igual o que é diferente. Esquecem-se que é a qualidade que faz vender os vinhos que criam volume e, até, contagia positivamente os que não prestam. Por isso, há que nivelar por cima. Nivelar por baixo só estraga.
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Se não se compreende que vinhos de classe muito baixa sejam aprovados pelas CVR (se não todas, quase todas) para ostentarem a denominação de origem controlada, menos se compreende que não tenham acções de promoção diferenciadas. Pode ser elitista mas é a única forma de promover convenientemente uma região.
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E quanto à Viniportugal, organização que tem por missão promover os vinhos nacionais? Parece que faz umas feiras… sei, por experiência própria, que nem sequer avalia propostas que lhe fazem. Nem tampouco responde.
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Tudo isto por causa dum evento organizado por João Tavares de Pina, a 26 de Julho deste ano, que levou ao Dão bloggers portugueses, jornalistas em «traje» informal e jornalistas de referência internacional (Charles Metcalfe e Paul White). Conheceu-se a «obra publicada» da grande maioria dos produtores de referência. Ou seja, esteve a fazer o que não tem obrigação de fazer. Gastou do seu bolso, dedicou horas na organização, convidou colegas, assumiu custos… Viniportuquê?
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O futuro da comunicação (vínica ou outra) não passa só pela internet, blogues e Facebook. O papel não morreu, mas a internet está viva e mexe-se, havendo jornalistas vínicos com os seus próprios espaços na rede mundial. João Tavares de Pina (Terras de Tavares) percebeu isso e apostou nos bloggers. A Viniportugal e a(s) CVR acreditam mais nos sinais de fumo e nas cartas timbradas do que nas novas formas (que já têm uns anos) de comunicação. Ainda não perceberam, talvez sejam aleijadinhos das ideias.
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Apostar nos blogues compensa. Ora veja-se: conte-se o número de visitas diárias e multiplique-se por 30 dias – já para não falar em multiplicação pelo número de blogues. Conte-se a tiragem (não vendas) da imprensa tradicional. Pense-se um bocado… e… É claro que é mais fácil comunicar para a crítica profissional (e deve-se, há essa obrigação e é muito válida), mas a blogosfera não pode ficar de fora. Se nem todas as entradas nos blogues são directamente para a página inicial, resultando de pesquisas concretas, nada leva a supor que os leitores não leiam, depois, as novidades. Por outro lado, o internauta tem à sua disposição e facilmente os textos em arquivo, sem ter de empilhar papel nem gastar tempo a pesquisar em mar de folhas. Todavia, não digo que se desvalorize o papel, tudo tem o seu espaço. Além de que há espaço virtual das revistas, realce-se o fórum (bem participado e de louvar) da Revista de Vinhos. As CVR e a Viniportugal é que andam a dormir.
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O evento apelidou-se de «The next big thing» (lamentavelmente em inglês e com denominação vazia na ligação com Dão – percebe-se a ideia, mas, de futuro, se voltar a acontecer, pode mudar-se o nome do evento) e juntou duas provas, um incrível almoço e um jantar de encerramento. Nesse tal almoço, de sete pratos e uma sobremesa, serviram-se vinhos antigos que mostram o potencial da região e por onde deve passar a estratégia: os néctares do Centro de Estudos Vitivinícolas (CEV) de 1971, branco, e os tintos de 1963 e 1970 arrasaram. As ilustrações servem para explicar onde se quer chegar e o que se pode fazer.
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Responderam ao convite de João Tavares de Pina, Álvaro de Castro (Quinta da Pellada e Quinta da Passarela) a Casa de Mouraz, Lagar de Darei, Quinta da Bica, Quinta da Falorca, Quinta da Fonte de Ouro, Quinta da Vegia, Quinta das Estrémuas, Quinta de Carvalhais (Sogrape), Quinta do Cerrado, Quinta do Perdigão, Quinta do Serrado, Quinta dos Roques (e Quinta das Maias), Terras de Tavares (obviamente) e Vinha Paz. É de notar que Álvaro de Castro não compareceu (por motivos familiares), mas podia ter enviado alguém para abrir as garrafas e explicar os vinhos; a Quinta do Serrado, que mandou vinho, mas ninguém para os abrir e explicar, devendo achar que os bloggers, os críticos ou outros produtores o fizessem; e a Quinta da Bica que colocou e abriu os vinhos, mas não teve ninguém para os apresentar e dar a provar. Estes foram os que responderam à chamada, mas houve outros que andam sonâmbulos como a Viniportugal. Estou a referir-me apenas aos produtores de referência e de reconhecida projecção.
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Onde estiveram a Casa de Santar (a Dão Sul deve estar focada a vender Grilos e Cabriz), Pedra Cancela, Quinta da Fata, Quinta das Marias, Quinta do Corujão? Certamente devem considerar bloggers e importantes críticos internacionais pessoas sem merecimento de grande atenção… problema deles, pois são quem quer vender alguma coisa. Não se misturam, penso que fazem mal.
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O escol do Dão, como se provou com esta acção, por constituir-se em ajuntamento de interesse e lobby, tal como acontece, no Douro, com os Douro Boys. O que cinco produtores da elite duriense (Niepoort, Quinta do Crasto, Quinta do Vale de Dona Maria, Quinta do Vale Meão e Quinta do Vallado) têm feito pela demarcação é puxar e empurrar o carro. Fazem por eles e ajudam, indirectamente, os outros. O Dão, e outras regiões, podem e devem fazer o mesmo.
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Os produtores, de referência e outros de qualidade, devem ainda apostar na qualidade intrínseca, no terroir, na tradição. O estilo do Dão não é o redondinho e bonitinho, tipo Ken e Barbie. É de grande elegância e de longevidade – um dia, quem sabe, porque no vinho também há modas, pode o mercado voltar aos gostos que hoje são de antigamente.
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É fácil dizer, quando o dinheiro não é o nosso, que se deve apostar na longevidade e no estilo. É fácil dizer, esquecendo que há contas para pagar. É fácil dizer quando não se empata capital na produção e acondicionamento dos vinhos. Guardar vinho no Dão é investir, mas a vida requere, também, soluções de curto prazo. Mas, o Dão tem, pelo menos tem também, de passar por aí. Sob pena de daqui por uns anos não haver vinhos como os CEV de 1963, 1970 ou 1971, que são grandes vinhos.
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Por agora é tudo. Despeço-me com amizade até aos próximos textos, que serão publicados faseadamente, acerca de vinhos e produtores presentes no «The next big thing».

sábado, julho 17, 2010

Pontual Branco 2009

É preconceito meu, assumo, achar que os vinhos brancos alentejanos são pesadões, quentes e desinteressantes. Bem sei que não e até sei que nos últimos anos têm aparecido belíssimos néctares brancos naquela província meridional.
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Digo isto porque fico sempre surpreendido quando bebo um alentejano branco que foge ao estereótipo. Ainda bem, porque gosto de surpresas agradáveis. O vinho que agora apresento é um desses casos de satisfação.
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O Pontual Branco é uma novidade, que agora acompanha os três manos tintos (syrah, touriga nacional/trincadeira e reserva). Que tal? Tem frescura. É um vinho bem equilibrado. Gostei dos traços de fruta, alguma tropicalidade, mas sem exagero (doutra forma torço o nariz e não vou muito à bola).
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: PLC
Nota: 7/10

sexta-feira, julho 16, 2010

Pontual Syrah 2007

Sempre gostei de vinho e bebo-o desde há bastante tempo. Mas, paixão, paixão, assim doida, ganhei não há tantos anos assim. Quando a paixão estava a começar a bater-me forte na cabeça, conheci o Paolo Nigra. Conheci-o numa reportagem acerca do vinho de Colares, do projecto da Fundação Oriente.
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Eu e o Paolo cruzamo-nos mais vezes em reportagem e, cedo, descobri que gosto mesmo dos seus vinhos. Devo dizer que se comecei a gostar mais de vinho o devo ao Paolo, que me foi explicando, simpática, educada e pacientemente, sem nunca ferir, o mundo dos vinhos.
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A minha primeira prova de vinhos foi dos Pontual. O Paolo explicou-me como podia fazer, e não como devia fazer. Ajudou-me e encaminhou-me a encontrar aromas, apesar de ter aquela «festa» para gerir.
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Com essa paixão nascente e as dicas de empurrão do Paolo fui ler, conversar com mais enólogos e produtores, falando de agricultura e adegas. O pouco que sei é por auto-ensino, procurando saber, perguntando, lendo. Sou autodidacta e não tenho vergonha de o dizer, e gosto de me lembrar dos meus primeiros passos pensados na companhia do Paolo.
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Já disse que sempre gostei dos vinhos do Paolo, a quem chamei um dia de alquimista. São vinhos fáceis de se gostar, vinhos de popularidade. É de aplaudir os vinhos, os produtores e os enólogos que fazem vinhos fáceis de se gostar, acessíveis no preço, desafiantes para a memória e comida… enfim, gosto dos seus vinhos, já tinha dito.
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Nunca soube se preferia os Pontual Touriga Nacional-Trincadeira ou se o Syrah. Gosto muito da fruta do TT e das notas de cacau do S. Hoje continuo sem saber. Neste tempo, faltaram-me várias colheitas e hoje, apesar da memória com sentimento e gratidão, gosto ainda mais dos Pontual. Podia ser levado pelo sentimentalismo e pela nostalgia dos primeiros tempos, mas não, agora gosto mais. Ok, ok, as vinhas têm mais idade, mais afinadas… e então?! O facto é que sinto maior prazer.
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Ontem, em casa dum casal amigo, bebi o Syrah de 2007. Os amigos gostaram muito e eu também. Apreciei o corpo, a acidez e o final. Gostei do nariz com fruta madura algo moderada, sem chegar aos compotados, as notas claras de cacau, as nuances da madeira.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: PLC
Nota: 7,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado pelo produtor.

quinta-feira, julho 15, 2010

Vinho do Porto em exposição

Malta, vale a pena ver! Uma exposição em que se mergulha na história, mais ou menos recente, do Vinho do Porto, através dos rótulos de diferentes casas produtoras. Como atrativo há ainda provas de néctares e cocktails feitos com Vinho do Porto. A exposição encontra-se na entrada principal do El Corte Inglés, em Lisboa. Depois seguirá para Gaia.

Guadalupe Selection Branco 2009

Olá, boa tarde... como já referi numa posta anterior, acerca do Guadalupe Branco 2009, achei estes dois vinhos muito parecido, demonstrando, portanto, coerência de perfil. Não gostei mais de um do que do outro. Assunto arrumado.
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Assim, cito as notas de prova do outro: Tropical, como agora é moda, mas sem enjoos, fruto das notas cítricas e da mineralidade que completam o ramalhete. É fresco na boca, com uma acidez bem equilibrada. Bem, este talvez seja um nadinha mais mineral... não sei, achei-os mesmo muito idênticos.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Quinta do Quetzal
Nota: 6/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

quarta-feira, julho 14, 2010

DFJ Arinto Chardonnay 2009

Bom vinho para o Verão e a preço muito acessível. Esta casa da Estremadura tem habituado os consumidores a vinhos de boa qualidade e a preços muito simpáticos, pelo que já nem é novidade esse facto aplicado a este branco.
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Produzido a partir das castas alvarinho e chardonnay, portuguesa e francesa, respectivamente, este branco promete um bom acompanhamento de marisco ou mesmo duma caldeirada de peixe. Embora, a média de juntar uma casta portuguesa à borgúndia vá para o arinto, a conjugação do alvarinho não só não fica atrás como dar resultados bem interessantes.
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Não é um vinhão, não empolga vivamente, mas é um daqueles vinhos que ficam na memória pela bela companhia que fazem nestes tempos de lazer (para quem está de férias ou usufrui das esplanadas) e de calor.
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No nariz revela fruta branca, mais maçã do que pêra, e bastante cítrico. Boa acidez, que lhe levanta mais o moral.
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Origem: Regional Lisboa
Produtor: DFJ
Nota: 5,5/10

terça-feira, julho 13, 2010

Inutilidade

video

É sempre bom saber que há formas alternativas de abrir uma garrafa... Pobre vinho... pobre sapato... pobre parede... pobre do engenheiro que inventou este método.

segunda-feira, julho 12, 2010

Vértice Rosé 2009

Eis um vinho fácil e prazenteiro, sem complicações desnecessárias. Vai directamente àquela parte do cérebro que regula a descontracção e o estar na boa. Ideal para o Verão em que apetecem comidas mais leves e frescas, embora não seja, propriamente, um vinho de piscina.
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Digo que não é, propriamente, de piscina por ter uma untuosidade, uma certa gordura que o afastam um pouco de tal função. Mas é claramente para uma noite cálida a saborear peixe ou marisco.
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Nele se notam notas tropicais, nomeadamente banana e algum maracujá. Veio-me também à lembrança uma réstia de jasmim – é claro que este aroma não é fruta, dah! Na boca, a acidez presente corta um pouco a banana madura do nariz. Vale a pena.
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Origem: Douro
Produtor: Quanta Terra
Nota: 6/10

domingo, julho 11, 2010

Vértice Gouveio 2005

Escrevi aqui ontem que não sabia qual tinha sido o melhor vinho do jantar de apresentação dos novos Terra a Terra e Vértice. Dividi-me entre o Vértice Tinto Grande Reserva e este espumante. Pois não sei.
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O aroma lembrou-me frutos secos, nomeadamente amêndoas. É também mineral, com laivos ferrosos. Acompanhado de massa de pão. Complexo sem confusões. Na boca revela boa acidez e bolha fina, mas não picada de agulhinha.
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Origem: Douro
Produtor: Caves Transmontanas
Nota: 7,5/10

sábado, julho 10, 2010

Vértice Tinto Grande Reserva 2007

Grande vinho, obra de Celso Madeira e Pedro Guedes, lá longe (de Lisboa), no Douro. No jantar de apresentação encheu-me as medidas, hesitando, como vinho do evento, quanto ao melhor (o outro é o espumante Vértice Gouveio, que terá, amanhã, crítica aqui neste cantinho da net).
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É potente sem ser bruto nem abrutalhado. É elegante e civilizado. Não é indicado para estes tempos de calor, mas lá mais para o Outono, a fazer-se Inverno. A mim lembrou-me pato, acho que vai bem com pato no forno ou arroz de pato.
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Equilibrado, no nariz e na boca. Aromas um pouco fechados, que se revelam com o tempo e arejamento. Ameixa e fumo médio reinam no nariz, que tem também frescura. Na boca, taninos presentes, mas sem fecharem a boca atrás dum muro.
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Origem: Douro
Produtor: Caves Transmontanas
Nota: 7,5/10

sexta-feira, julho 09, 2010

Terra a Terra Tinto Reserva 2007

Este tinto duriense entusiasmou-me pouco. Claramente um vinho muito bem feito (quem sou eu para questionar a qualidade enológica ou o empenho destes profissionais?), diria sem qualquer mácula. Porém, não entusiasma. É um bom vinho, pois então. Mesmo quase um vinho muito bom, mas não me entusiasma.
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Não tem o meu perfil de gosto e penso ser apenas fácil, sem desafios. É claro que também não foi feito para ser um vinhaço, mas para atingir um grande público apreciador, certamente exigente. Não é um vinho de combate, nada disso. É um vinho feito para vender, para gerar negócio, para dar rentabilidade à casa – o que é muito importante, até para que os dois enólogos (Jorge Alves e Celso Madeira) possam também dedicar-se aos vinhaços que fazem.
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Tem, no nariz, os encantos típicos do Douro e suas castas: frutos de baga, aroma do estio nas bravuras das encostas durienses (seja lá o que for que isto queira dizer – é verdáceo, mas seco, quero eu dizer), notas de fumo suaves. Na boca é polido e educado, nada rústico.
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Origem: Douro
Produtor: Quanta Terra
Nota: 5,5/10

quinta-feira, julho 08, 2010

Terra a Terra Branco Reserva 2009

Eis um vinho fácil e prazenteiro, sem complicações desnecessárias. Vai directamente àquela parte do cérebro que regula a descontracção e o estar na boa. Ideal para o Verão em que apetecem comidas mais leves e frescas, embora não seja, propriamente, um vinho de piscina.
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Digo que não é, propriamente, de piscina por ter uma untuosidade, uma certa gordura que o afastam um pouco de tal função. Mas é claramente para uma noite cálida a saborear peixe ou marisco.
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Nele se notam notas tropicais, nomeadamente banana e algum maracujá. Veio-me também à lembrança uma réstia de jasmim – é claro que este aroma não é fruta, dah! Na boca, a acidez presente corta um pouco a banana madura do nariz. Vale a pena.
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Origem: Douro
Produtor: Quanta Terra
Nota: 6/10

quarta-feira, julho 07, 2010

Schumacher Alt

Não sei exactamente porquê, mas outro dia fui vasculhar no compartimento em que guardo os detergentes para a loiça e arrumo apetrechos de cozinha que não uso. Ao afastar a caixa de guardar a panelinha do fondue deparei-me com uma garrafa de um litro, já vazia, de cerveja de Düsseldorf. Estava lá desde que para aqui me mudei, visto o prazo de validade inscrito no rótulo terminar em 1997.
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O que faria ali a botelha? Devo tê-la guardado para me lembrar de que gosto dela e da cerveja que a guardava. Nunca mais me lembrei dela. Agora guarda água no frigorífico. Cumpre bem a função, visto ter uma rolha vedante, daquelas que têm um árame forte à volta que prende como uma mola, muito boa.
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Aproveito esta descoberta para escrever acerca desta Düssel, nome alternativo de Altbier, cerveja de Düsseldorf e seus arredores renanos. Embora a sua região berço seja Düsseldorf, em particular, e a Renânia do Norte Vestefália, em geral, nomeadamente no antigo ducado de Berg, as Alt são produzidas em mais locais de Alemanha. Ao contrário da vizinha (e rival) Kölsch, de Colónia, a Düssel não tem denominação de origem protegida.
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O termo Alt foi referenciado pela primeira vez no início do século XIX e usado, pela primeira vez por um produtor, em 1838, na Schumacher. A cerveja que aqui tive era, precisamente, Schumacher Alt, tida por ser a melhor Alt de Düsseldorf. Pelo menos foi o que me disseram diferentes renanos. Bebi-a e gostei muito, tendo repetido sempre que posso, quando vou à Alemanha. Embora prefira, como cidade, Colónia a Düsseldorf, conhecidas por forte rivalidade, prefiro a cerveja da capital regional. Um dia, por brincadeira, disse a amigos meus, em Colónia, que iria entrar numa cervejaria e pedir uma Alt. Demoveram-me fortemente e com ar muito sério, pois tal atrevimento poderia causar um motim no estabelecimento.
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As Alt são cervejas de graduação média, em torno dos 5% de álcool. São escuras e são designadas por alt (velho) em referência a estilo, e modo de produção, que se utilizava antes do surgimento das läger, no final do século XVIII. São cervejas de cor escura, de cobre não areado. Embora haja muitas cervejas com este tom escuro com corpo muito forte e grande concentração de açúcar, nomeadamente as belgas conventuais, as Alt não têm tanto corpo e transmitem sensações mais secas e amargas.

Guadalupe Branco 2009

Para mim, tanto o Guadalupe Branco, quanto o Guadalupe Selection Branco merecem a mesma avaliação. Não preferi um a outro, ambos me deram idêntico prazer. Vem aqui ao caso esta nota por me ter sido enviado para prova o Guadalupe Branco 2009, tendo eu provado-o igualmente com o seu parceiro Selection.
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É um vinho nada pesado, apesar dos calores da região. Vem duma zona típica de brancos, a Vidigueira, e traz boa fama aos vinhos daquele termo alentejano.
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É um vinho sem complicações. Directo e fácil de se gostar. Vai bem com carnes brancas ou um peixe grelhado, mas basta-lhe uma boa conversa à sombra ou com os pés de molho.
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Tropical, como agora é moda, mas sem enjoos, fruto das notas cítricas e da mineralidade que completam o ramalhete. É fresco na boca, com uma acidez bem equilibrada.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Quinta do Quetzal
Nota: 6/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

terça-feira, julho 06, 2010

Muxagat 2008

É um vinho sóbrio, sem espalhafatos, mas com personalidade e carácter. Mais do que mais um vinho de Verão, é para todo-o-terreno de levuras: peixes no forno, peixe grelhado, aves e carnes magras e tardes de dolce fare niente, de preferência com os pés na água.
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É sóbrio e fácil, mas sem cedências às festanças do novo mundo ou a tropicalismos exuberantes. Hei-de bebê-lo mais vezes.
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Origem: Douro
Produtor: Muxagat Vinhos
Nota: 6/10

segunda-feira, julho 05, 2010

Quinta da Lagoalva Talhão 1 2009

A primeira vez que bebi um Talhão 1 não fiquei fã. Não porque o vinho não prestasse, mas porque não fazia o meu género. Achei-o demasiado tropical, excessivamente maracujá, como um sauvignon blanc da Nova Zelândia ou assim uma coisa do género.
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Diogo Campilho, jovem enólogo da Quinta da Lagoalva de Cima, tem vindo a acertar, na minha modesta opinião, a mira. É normal, vai tendo mais experiência. Cinco colheitas depois de ter provado a primeira, estou muito satisfeito com o que bebi. Já as duas colheitas anteriores vinham neste âmbito. Penso que Diogo afinou o perfil. Em equipa campeã não se mexe.
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Pois as notas tropicais ainda lá estão, notas doces, mas nada enjoativas. Muito fresco, leve para o Verão e para carnes magras… acompanhei-o com gaspacho e foi muito bem.
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Quinta da Lagoalva de Cima
Nota: 6/10

domingo, julho 04, 2010

Abandonado 2007

Devia começar a dizer mal dos vinhos deste senhor Alves de Sousa. Mas não digo: porque seria injusto. Os vinhos merecem aplauso. Devia dizer mal, para que não se pense que sou um fascinado. Não conheço o senhor em causa, acho que uma vez o cumprimentei na Garrafeira de Campo de Ourique, mas consta que é uma simpatia. Mais uma razão para dizer bem dos seus vinhos.
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Não só não digo mal, como não digo bem… deste (tal como o Vinha de Lordelo) digo muitíssimo bem. Imaginemos uma sala cheia de gente. Entra alguém e todos baixam o som às suas conversas, sussurram ou calam-se. Todos de olhos postos em quem acaba de entrar. Entra com distinção e nobreza. Assim, tal e qual, é este vinho. Sobressai.
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Muito elegante, muito prazenteiro, com belíssima acidez para lhe descansar os calores durienses, final prolongááááááá-do! Na boca, fruta madura e nota de madeira. Aplauso. Não digo mais nada.
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Origem: Douro
Produtor: Domingos Alves de Sousa
Nota: 9/10

sábado, julho 03, 2010

Quinta da Gaivosa Vinha de Lordelo 2007

Dei a provar uma colheita anterior a uns amigos meus e acharam-no patusco, mais coisa menos coisa. Mandei-os ir apanhar… ar. Eles acharam-no rústico e eu exactamente o contrário. É Douro à séria, mas com carisma como poucos.
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O nariz não é efusivo nem óbvio. Todo ele é indirecto e desafiador. Não me recorda qualquer aroma a sobrepor-se aos outros. É muito elegante… talvez uma evocação de frutos vermelhos, uma breve referência a folhas de chá… na boca é também elegante, com final prolongado. Bom para uma refeição de Natal.
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Origem: Douro
Produtor: Domingos Alves de Sousa
Nota: 8,5/10

sexta-feira, julho 02, 2010

Quinta da Gaivosa 2005

É do Douro e veste-se bem (não é ao rótulo que me refiro). Quero também dizer, que é bonito e apresenta-se bem… Lá começo eu a divagar. Quero é dizer que é um vinho elegante, nada rústico. Com bom corpo, taninos com personalidade. Nele se experimentam compotas de frutos vermelhos. Gosto!
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Origem: Douro
Produtor: Domingos Alves de Sousa
Nota: 7,5/10

quinta-feira, julho 01, 2010

Pontual Touriga Nacional Trincadeira 2006

Tenho dito várias vezes ao meu amigo Paolo Nigra (produtor e autor deste tinto), que ele é um alquimista, que tem o toque de Midas e que sabe fazer vinhos fáceis de se gostar, com popularidade, mas com elegância. Os vinhos do Paolo bebem-se com alegria, quer à refeição, como numa conversa que lhe siga. Tenho experimentado e dá sempre bom resultado.
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Este, como o nome indica, fez-se com a mais internacional variedade portuguesa (a omnipresente touriga nacional) e com a super-simpática trincadeira. É incontestavelmente alentejano, mas nota-se o toque do autor.
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No nariz vêem à cabeça os frutos silvestres e cerejas maduras. Na boca, taninos polidos e elegantes. Acidez que não permite qualquer cansaço. Bom final.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: PLC
Nota: 7/10

quarta-feira, junho 30, 2010

Lapostolle Clos Apalta 2007

Ca ganda vinho! Ca ganda vinho! Um vinhaço! Mais uma obra da consultoria de Michel Rolland, o dito enólogo voador.
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É um vinho de lote, com carmènère (61%), cabernet sauvignon (24%), merlot (12%) e petit verdot (3%).
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Complexo e prazenteiro. Bom para uma boa refeição de carne e, até, para uma sobremesa de chocolate.
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O nariz evoca madeira de pinho (foi a primeira coisa que me ocorreu quando o cheirei), fumo ligeiro, frescura vegetal, bolo pão-de-ló (sem ser do de entornar, do seco), chocolate preto, ameixa preta madura.
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A boca não encanta menos, com belo corpo, com taninos elegantes, que mostram durabilidade, acidez vificante.
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Origem: Vale de Colchagua
Produtor: Lapostolle
Nota: 9/10

terça-feira, junho 29, 2010

Lapostolle Colector Borobo 2007

Belíssimo vinho. Diz o produtor que é um vinho de enólogo… no caso o flying winemaker Michel Rolland, himself, que dá aconselhamento à casa, com contrato de exclusividade no Chile.
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Não é um típico vinho do novo mundo, um monocasta. O grosso vem das uvas emblemáticas do Chile, a Carménère (66%). Depois, pinot noir (18%), syrah (13%) e petit verdot (3%).
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No nariz é muito complexo: chocolate, chá, especiarias, madeira encerada, frutos de baga, gomas. Elegante, com taninos com classe internacional. Boa acidez, o que lhe levita o peso provável ou que seria de esperar.
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Origem: Chile (sem indicação de proveniência)
Produtor: Lapostolle
Nota: 8,5/10

segunda-feira, junho 28, 2010

Quinta do Quetzal Reserva 2007

Vinho com bom corpo e de taninos redondinhos. Bom vinho, mas pouco singular. Compotado, de ameixa preta e groselha, algum chocolate. Está-se bem.
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Origem: Alentejo
Produtor: Quinta do Quetzal
Nota: 6,5/10

domingo, junho 27, 2010

Quinta dos Abibes Arinto & Baga 2008

Como se lê, este espumante fez-se de uvas brancas e tintas, mas processadas como brancas. Uma dá frescura, outra dá-lhe a personalidade bairradina. É um espante interessante. Bolha persistente, mas um pouco graúda para o meu gosto. Equilíbrio entre o cítrico e miolo de pão muito fresco, levemente doce, mas sem qualquer abuso.
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Origem: Bairrada
Produtor: Quinta dos Abibes
Nota: 6,5/10

sábado, junho 26, 2010

Dona Graça Vinhas Antigas Tinto 2008

É um vinho com carácter, com personalidade, com bom corpo e frescura. No nariz encontram-se fruta madura, especialmente cereja, e madeira, com tosta marcada. Tem um bom final e taninos que enchem a boca, mas sem agressões. É guloso.
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Origem: Douro
Produtor: Dona Graça
Nota: 7,5/10

terça-feira, junho 22, 2010

Maritávora Branco Reserva 2009

As uvas deste branco provêem de uma vinha muito velha, lá para os cem anos. Exclusivamente. Se a terra dá para 3.000 garrafas, são 3.000, se só dão para 2.000, então, 2.000 serão. Por ali anda tudo ao molho, misturada de castas típicas duriense, como acontece em muitas propriedades durienses. Sabe-se que por lá andam a rabigato, a viosinho e a códega do larinho.
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O vinho continua com o seu perfil mineral e cítrico. Tem uma acidez muito agradável. Notas de madeira presentes. Mais uma vez, experimentei com muito agrado os vinhos do amigo Manuel Gomes Mota. É uma dos melhores colheitas desta quinta.
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Origem: Douro
Produtor: Quinta de Maritávora
Nota: 8,5/10

Maritávora Branco 2009

O meu amigo Manuel Gomes Mota apresentou, no sábado passado, as suas novidades de brancos da Quinta de Maritávora, referentes à colheita de 2009. Estive lá e vim, uma vez mais, impressionado com os brancos desta quinta de Freixo de Espada-à-Cinta. Mas aqui e agora aponto ao colheita branco.
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Este é um vinho muito fresco, onde a acidez se faz notar com muito agrado para os sentidos. Mais mineral do que frutado, constitui uma boa aposta para as comidas mais leves que o corpo pede no estio. O vinho desta colheita é, para mim, o melhor colheita produzido por esta quinta alto duriense.
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Origem: Douro
Produtor: Quinta de Maritávora
Nota: 6,5/10

quinta-feira, junho 17, 2010

Mauro Cosecha 2006

Tem belos taninos. Tem um boníssimo final. Tem uma madeira muito agradável. Muita fruta madura.
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Fez-se com 90% de aragonês (tempranillo do outro lado da fronteira) e 10% de sirah. Boa temperança.
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Enfim, gostei muito, mesmo muito, e recomendo-o vivamente. Aviso importante: a coisa não é barata. É que o vinho em Portugal tende para o absurdo, ao contrário da vizinha Espanha. Tentem comprá-lo lá.
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Origem: Tierra de Castilla y Lèon
Produtor: Bodegas Mauro
Nota: 7,5/10

quarta-feira, junho 16, 2010

Meia Pipa 2007

Bebi-o em amena cavaqueira com os amigos ITQ, PR, VR e RN. Com tão boa companhia, fui obrigado a um momento de concentração e de algum isolamento mental para que a simpatia do momento não contagiasse a apreciação... é que os bloggers são críticos amadores (eu sou) e podem dar-se ao luxo de análise menos científicas (eu faço-o). Contudo, o rigor é sempre uma prioridade e a honestidade está acima de tudo.
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Em frente: este vinho fez-se com um lote das castas castelão (rainha na região), cabernet sauvignon e sirah. Lá está uma finura de chocolate, um pimento que não se torna exuberante. As castas internacionais aplainam um pouco a rusticidade da variedade portuguesa.
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Origem: Regional Terras do Sado
Produtor: Bacalhôa
Nota 6/10

terça-feira, junho 15, 2010

Campolargo Bical 2008

Ano após ano, estes vinhos satisfazem-me como poucos. Olhando ao meu redor, parece-me que sou o mais entusiasta na crítica amadora. Se comparar com a outra, a situação é idêntica. Portanto, a minha boca é diferente. Parece que o vinho foi feito para mim.
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Aprecio as notas de madeira, que, embora bem presentes, não estrafegam a fruta, que se revela gulosa, mas sem barbaridades. Gosto, sobretudo, do carácter herbáceo e da revelação da terra que o faz nascer.
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Origem: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo
Nota: 8/10

segunda-feira, junho 14, 2010

Cistus Reserva Tinto 2007

A primeira impressão que tive deste vinho não foi claramente positiva, mas antes de alguma banalidade. Porém, sempre em terreno positivo. Raciocinando, atingi que merecia maior atenção e tempo. Dei-lhe tempo e o vinho revelou-se. Ou eu compreendi-o melhor.
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Este tinto duriense foi conseguido a partir das castas tinta roriz (40%), touriga franca (40%) e touriga nacional (20%) e nele se nota bem o carácter das suas partes. A sempre presente touriga nacional pareceu-me bem enquadrada pelas outras castas. Penso que no lote se destaca a touriga franca. Gostei da madeira, bem clara, mas sem atropelos à fruta.
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Origem: Douro
Produtor: Quinta do Vale da Perdiz
Nota: 6,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

Quinta da Ponte Pedrinha Tinto 2006

O amigo do outro lado do Atlântico, Gil Mesquita, fez-me simpaticamente chegar uma garrafa deste Dão tinto (a de branco já aqui mereceu nota de recepção), que ele próprio criticara e apreciara, embora de colheita do ano precedente.
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É um Dão com carácter, aveludado e elegante, que mostra o que é a região. Gostei mais dele na boca do que no nariz, o que, contudo, não merece uma apreciação negativa. Notei-lhe fruta madura, as notas de madeira e alguma mineralidade, algo terroso.
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Origem: Dão
Produtor: Quinta da Ponte Pedrinha
Nota: 6/10

quarta-feira, junho 02, 2010

Tinto

Não é por estar calor que vou deixar de beber tinto. Não pode é estar «à temperatura ambiente». Nem no Inverno se bebe quentinho... Bem, mas acordei a apetecer-me branco. Ontem é que sonhei com um tinto.

domingo, maio 23, 2010

Quinta da Ponte Pedrinha Branco 2009

É um vinho fácil e descomplexado. Bom de se gostar, não exigindo explicações demoradas. Bebe-se com prazer e muito bem. A Sílvia, a Mónica e a Carla beberam-no cá em casa e adoraram-no. Vinho feminino? Diria que não completamente. Seria injusto se o dissesse. Este branco, feito com uvas encruzado, cerceal e malvasia, é notoriamente vegetal, nada exuberante. Na boca nota-se bastante herbáceo e mineral. Um vinho interessante e boa aposta para os dias quentes e para quem dispensa o fogo de artifício de fruta tropical ou dos alperces. Este néctar foi-me servido numa caixa de duas (com outra de tinto), através do amigo Gil Mesquita, do blogue Vinho para Todos.
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Origem: Dão
Produtor: Maria de Lourdes Mendes Oliva Nunes Osório
Nota: 5,5/10

Dow's Quinta da Senhora da Ribeira Vintage 2008

Não foi o único Vintage que provei na Portfolio, mas foi o que mais gostei, apesar de não o considerar superior ao que estava em combate directo. Face ao outro, que escrevo abaixo (Quinta do Vesúvio), é mais guloso e fácil.
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O nariz é rico, com fruta cristalizada, figos secos, caramelo, uma pitada de canela e algo a refrescá-lo, algo herbáceo, mas ténue. O suficiente para o efeito. Na boca mostra-se potente, quente, sem ser uma sopa, pois tem lá frescura que se veja. É desafiador.
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Bem que o senhor Santos, da Garrafeira de Campo de Ourique, me avisara: vai lá, prova-o e depois diz-me o que achas. Provei e adorei.
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Origem: Porto
Produtor: Dow's
Nota: 9/10

Quinta do Vesúvio Vintage 2008

É cá um vinhaço! Grande corpo, grande nariz, grande boca, final feliz. Haja alegria! O senhor Arlindo Santos, da Garrafeira de Campo de Ourique, já mo tinha indicado e pedira-me a opinião. Fiquei estarrecido quando o provei.
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No nariz há uma festa de aromas, onde se destacam o rebuçado (vários) e o figo seco, mas também umas notas químicas. Na boca é muito aveludado e elegante. Promete estar para durar muitos e bons longos anos.
Origem: Porto
Produtor: Symington Family
Nota: 9/10

Coudoulet de Beaucastel 2008

Amei este vinho. Complexo e sem dificuldades em se gostar. Elegante e amigo, fraterno. Um prazer de se beber com amizade suficiente, fazedor de amizades, gastronómico. Fez-se com as castas marsanne (30%), viognier (30%), bourboulenc (30%) e clairette (10%).
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No nariz é guloso… guloso primaveril, sem apelar ao Inverno de lareira, nem aos cítricos de começo de Verão… Primavera porque alperce, mas ainda com o mel… ligeiramente floral, mas agora, o quê? A boca não é menos interessante, mas revelou-se um niquinho mais floral.
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Origem: Cotes-du-Rhone
Produtor: Château de Beaucastel
Nota: 8/10

Joseph Drouhin Clos des Mouches Blanc Premier Cru 2007

É um canteiro de flores, bonitas, ainda para mais rosas. O que eu gosto de rosas… mesmo fora dos vinhos. Abrindo-se, o chardonnay vai para aromas de fruta de avelã e amêndoa… com tempo chega ao terroso químico (modo estúpido de dizer trufas), com uma finura cítrica.
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É um branco que não me vai sair da cabeça… nem da boca… ou melhor, da memória de boca… muito mineral e complexo. Adorei!
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Origem: Beaune
Produtor: Joseph Drouhin
Nota: 9/10

Joseph Drouhin Clos des Mouches Rouge Premier Cru 2007

Este é um for a de série, um Borgonha com todo o seu requinte e elegância, muito luminoso como se exige a vinhos desta região. Suavíssimas e delicadas amoras e framboesas, notas de tosta, de forma ligeira. Com o desenrolar dos minutos salienta-se uma pitada de pimenta verde, de tabaco, notas minerais e terra molhada. Taninos elegantes e um festival de prazer na boca.
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Origem: Beaune
Produtor Joseph Drouhin
Nota: 9/10

Chryseia 2007

No nariz aparenta-se mais com um ruby bem encorpado. É guloso nas narinas, inspira alegria e repasto. Nariz doce, compotado… de quê? Sinceramente não sei bem definir, mas apontaria para qualquer coisa entre a de ameixas pretas e a de cerejas. Nota-se-lhe a madeira, mas de forma discreta. Taninos muito elegantes. Gostei, pois!
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Origem: Douro
Produtor: Chryseia
Nota: 8,5/10

Chryseia 2008

Não sendo igual ao da colheita anterior, mantém o estilo e a personalidade. O perfil é de elegância musculada. Não é uma donzela, é um fidalgo. Bem sei que os anos não são iguais há sempre um que agrada mais do que outro, ou não fosse o vinho diferente da Coca Cola. Pessoalmente prefiro o anterior. Em seu abono reconheça-se que este tem menos um ano nas pernas.
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Origem: Douro
Produtor: Chryseia
Nota: 8/10

Cavalo Maluco 2006





















É um vinho facílimo. Como não gostar? Sim, como? Bem, há quem o possa achar demasiado encorpado e raçudo. Esses têm o direito a não gostar… É facílimo, sim senhores. E isso não é mau. Não é, não tem de ser e quem diz o contrário é possidónio (espero não arranjar problemas com esta tirada).
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É Alentejo em toda a força, apesar de a Herdade do Porto Carro ficar noutra região. Aliás, só fica fora da região vitivinícola, porque há Alentejo no distrito de Setúbal… Bem, geografia humana fica à parte.
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De toda a maluquice equina, esta é a que mais me agradou. Se isto continua assim, onde é que «isto» vai parar?!...
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Já toda a gente sabe, mas digo também: Cavalo Maluco foi um chefe índio americano (Tȟašúŋke Witkó, em língua Lacota) e que nos chegou através do inglês dos filmes como Crazy Horse. Viveu entre 1840 (julga-se) e 1877 e lutou contra as tropas dos Estados Unidos, pela preservação do território índio e suas tradições e modo de vida. Acho que chega…

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Crazy Horse é também o nome dum cabaré parisiense, conhecido por actuações de miúdas com as maminhas à mostra e com chapéu da guarda escocesa do palácio de Buckingham. Há mais uma catrefada de Crazy Horses, mas não têm qualquer substância ou carisma que justifiquem as minhas palavras e a paciência do leitor.
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Origem: Regional Terras do Sado
Produtor: Herdade do Portocarro
Nota: 9/10

Anima L7

É o italiano das planícies, ali onde o Alentejo já mostra a areia da praia. Por acaso, não sei se a Herdade do Portocarro tem areia… fica a intenção. Faz-se com a famosa casta sangiovese, razão pela qual é classificado como vinho de mesa, pois a variedade não está reconhecida por cá. Embora a região seja de grande vigor climatológico, levada para o quente e ensolarado, este vinho respira elegância. É uma boa curiosidade bebê-lo. Tal como o Cavalo Maluco, esta última edição parece-me ser a melhor de todas.
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Origem: Regional Terras do Sado
Produtor: Herdade do Portocarro
Nota: 9/10

segunda-feira, maio 17, 2010

.com branco 2009

É branco. E no nariz: pêssego e flor de laranjeira, foram sobretudo esses os aromas que dominaram a minha experiência com este vinho com referência à internet. Curiosamente, o dito cujo não tem sítio na net, mas antes uma página negra com os contactos.
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É um vinho multi-castas, o que lhe confere uma maior paleta aromática do que aquela que sucintamente resumi. Muito fresco. Nelas estão roupeiro, antão vaz, arinto e verdelho.
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Interessante sem alucinar. Bom para o Verão. Aqui acompanhou um frango à passarinho. Ligou-se bem. É um vinho muito fácil de se gostar.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Tiago Cabaço
Nota: 6/10

sábado, maio 08, 2010

Flor de Mouraz Reserva 2006

É um vinho prazenteiro, bom conversador e muitíssimo gastronómico. Mas... mas... peca de um defeito que anda por aí muito: o elevado teor alcoólico, que não permite nenhum ligeiro despite quanto à temperatura e, ainda assim, tem um impacto inicial, no nariz, bastante forte. Fora isso... muito bem, muito bem, mesmo.
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Não é que no nariz seja mais interessante do que na boca, mas tem um ramalhete mais vasto do que se mostra no palato. Gostei bastante: amora e ameixa preta... de início tem um melado subtil de tâmara, mas já com algum tempo de copo vem ao de cima a cereja.
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Na boca mostra muita amora e evolui para os compotados, de frutos de bago e de ginja. Boa acidez, taninos a mostrar elegância, mas ainda não totalmente polidos.
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Origem: Dão
Produtor: António Lopes Ribeiro
Nota: 7/10
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Nota: Este vinho foi oferecido pelo produtor.

domingo, maio 02, 2010

Vale da Judia Branco 2009

Nem sempre o bom tem de ser caro ou carregado no preço. Tenho falado muito neste vinho, que me encanta momentos de inspiração leve ou a cheirar a Primavera-Verão. Custou-me 3,25€ e soube-me muito melhor que outros de 10€. Não é um grande vinho, nem o pretende ser. É feito para se beber descontraidamente a sós ou com marisco ou carne branca descomplicada.
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Descobri a marca na mercearia da frente, que não prima por ter boas garrafas, embora mostre uma ou duas variedades de alguma fama. Mas em vinhos não é consistente, variada, boa ou barata. A edição de 2009 é a que mais gostei até ao presente, é mais fresca e viva.
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Muito fresco, muito vivo, este é um hino aos dias de Sol e às noites quentes. Não exige esforços, é fácil e «prontes»! É amor de Verão, adolescência de mão dada no Algarve. Tem a alma das ruas brancas, com gente e marisco... emocionalmente, lembra-me a baixa de Lagos.
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É floral, começa com rosas e/ou lichias... mais tarde evolui e assume-se mais frutado, a caminho do pêssego. Feito com uvas moscatel, este vinho não resulta doce ou enjoativo. Tem um travo que seca um final comum.
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Origem: Regional Terras do Sado
Produtor: Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões
Nota: 5,5/10

Casal Figueira Last Edition 2007

Deste produtor estremenho já muito se escreveu, derivado até à sua morte prematura, quando prometia no mundo dos vinhos em Portugal. Uma homenagem que se lhe pode fazer é manter viva a memória dos seus vinhos.
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Gosto do perfil dos vinhos Casal Figueira, por serem agradáveis e despretenciosos. Por não custarem acima do patamar do razoável, permitindo beber-se bem a custos muito controlados.
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Bebi deste em casa dos meus amigos Inês e Paulo, que tanto têm gabado os vinhos Casal Figueira. Compraram algumas garrafas e prometem ainda mais, porque gostam mesmo de beber bem.
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Deram-mo a beber com entusiasmo e ficaram olhando a desenhar aos poucos os sinais da minha reacção. Não que o que dissesse fosse lei ou que precisassem da minha aprovação, mas porque queriam sentir-se felizes com a partilha de algo que gostam com um amigo. A amizade e o prazer são assim mesmo.
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Mal mostrei satisfação, a Inês disse logo: «É maçã!». Disse quase tudo. A mim lembrou-me sidra, não muito loge do que ela disparara. Com belíssima acidez, muito fresco de boca, interessante.
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Origem: Regional Estremadura
Produtor: Casal Figueira
Nota: 6/10

Casa de Mouraz Rosé 2008

Provei este vinho de fugida, quase em correria, mas ficou-me na memória. Não lhe terei dado toda a atenção que merecia, mas, mesmo assim, deixou marca.
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Ele é muito morango no nariz, mas na boca soma-se-lhe a framboesa. António Lopes Ribeiro afirma que não é por acaso, porque a natureza transmite-se e o modo de produção biológico entrega maior naturalidade às uvas e influencia o que as rodeia.
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Gostei bastante da acidez, que faz com que seja mais do que um mero vinho de piscina. Com mais atenção e talvez lhe tivesse descoberto uma maior vocação gastronómica.
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Origem: Dão
Produtor: António Lopes Ribeiro / Casa de Mouraz
Nota: 6/10

terça-feira, abril 20, 2010

Colares nobre e romântico

A vila de Sintra tem em Colares uma vila irmã. Enquanto Sintra fica num alto e aponta ainda mais para cima, para o castelo dos Mouros e para o palácio da Pena, a vila de Colares é mais modesta, tendo sido sede de concelho até 1885, fazendo hoje parte da mesma unidade administrativa. Uma tem a frescura da serra e das verduras sombreiras, a outra já sente os ares do mar.
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Mas é nas Azenhas do Mar, São Martinho e São João das Lampas que nasce o produto maior da vila de baixo: o vinho de Colares. Os primeiros registos ao cultivo da vinha e da casta tinta ramisco datam do século XII. Em 1367 já se exportava e no século XVI embarcou nas caravelas dos descobrimentos. Mas é o século XIX que marca mais o Colares, com a resistência à praga da filoxera e com as apologias nas casas de Lisboa, onde se destacam os aplausos de Eça de Queiroz.
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Em 1865 dá-se a chegada da praga da filoxera a Portugal e, por terem as raízes em solo arenoso, as vinhas de Colares resistem ao insecto. Até à terceira década do século XX a região esteve em grande, mas a crise mundial de 1929 derrubou o negócio. Dos 20 produtores de então restam hoje cinco, sendo dois recentes.
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Já Sintra é mais aristocrática, com palácios e quintas fidalgas, mas também de chalés românticos e casas de povo. Nessa Sintra monumental saliente-se o palácio em estilo neo-clássico de Seteais. A casa foi mandada construir pelo cônsul da Holanda em Lisboa, Daniel Gildemeester, em 1787. O palácio mudou de dono e foi o quinto marquês de Marialva. Dom Diogo Coutinho ordenou novas obras e, em 1802, estabeleceu-se a actual fisionomia do edifício. Hoje é um hotel de prestígio da cadeia Tivoli.
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Pois foi neste hotel palácio que se realizou uma prova de vinhos de Colares, dos cinco produtores no activo. Três são históricos, um é recente e outro estreante. À prova seguiu-se um almoço, orquestrado pelo chefe Luís Baena.
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Foram vários os vinhos provados e os servidos à refeição. Segue a lista, mas vou deter-me em apenas num, porque foi o que mais me surpreendeu… pela ruptura que faz. Citem-se os conjurados, começando pelos brancos: Fundação Oriente Branco 2008 (um vinho com inovação, mas sem rupturas bruscas), Arenae Malvasia 2008 (um Colares clássico), Monte Cascas Malvasia 2008 (agitador) e Colares Chitas Branco 2006 (tradicional como manda a lei); os tintos foram Fundação Oriente MJC Tinto 2005 (grande elegância), Viúva Gomes 2003 (rústico e com muito «animal»), Viúva Gomes Reserva 1969 (em grande forma, belíssimo), Adega Regional de Colares 1992 (bem comportado e justo, mas ofuscado pelo vinho anterior) e Fundação Oriente MJC Tinto 2004 (igualmente elegante, a prometer futuro). À parte dos Colares veio um Carcavelos, da Quinta da Belavista (no nariz notas florais e muito mel, mas na boca revelou-se curto).
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De loucura são os preços dos vinhos agora apresentados a prova. Bem sei que normalmente marimbo-me para as relações de qualidade e preço. Não é agora que vou fazer essa pesagem, mas não posso deixar de notar a exorbitância que atingem estes néctares. Cada garrafa da Fundação Oriente (0,75l) custa 30 euros. Uma de Arenae Malvasia (0,5l) 9 euros. Uma de Monte Cascas (0,75l) 30 euros. E uma de Viúva Gomes (0,5l) 12 euros.
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Bem se sabe que a vinha é pouca, que vinho é menos, que o preço da terra é elevado, que a mão-de-obra é trabalhosa e cara… mas!... A região quer ressurgir e os preços são de loucura. Pela dimensão da região sabe-se que nunca poderá competir com um Alentejo ou um Dão, mas sabe-se que os Colares são pouco conhecidos e reconhecidos. A história não vende vinhos nem equilibra contas. Por estes preços encontram-se vinhos de qualidade não inferior e mesmo superior, de regiões mais sonantes.
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O vinho que me debruço com maior pormenor é o Monte Cascas, pela ruptura que faz com a tradição. Dir-se-á que poderia ser doutra região… não propriamente. Dir-se-á que a fruta tem algum combate com a madeira… é verdade. A madeira marca este vinho. Este vinho é discutível. Outras pessoas na prova não se mostraram tão entusiasmados quanto eu.
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Este produtor recorreu a barricas de terceiro e quarto ano, mas, mesmo assim, se nota bem a madeira. Hélder Cunha, responsável por este projecto iniciado há apenas ano e meio, reconhece a marcação, mas refere que tudo se irá acertar, até porque as barricas também se cansam.
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Este não é um vinho de garagem, mas de alpendre… foram produzidas pouco mais de 600 garrafas (seiscentas)!!! A razão é simples: a produção da região é pouca e poucos são os agricultores e, quase todos, vendem as uvas à Adega Regional de Colares. Sobra pouco para a jovem empresa.
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O que mais me impressionou neste vinho foi a festa que fez no nariz, muito complexo, muito variado e em evolução. Primeiro: rosas. Depois citrinos, maçãs. Terceiro, mineralidade e especiarias. Em todas as etapas uma finura tropical e uma mínima de rebuçado. A boca não desanima, mas fica aquém do nariz e menos surpreendente.
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Monte Cascas Malvasia 2008
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Produtor: Monte Cascas
Nota: 6,5/10
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Fundação Oriente Branco 2008
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Produtor: Fundação Oriente
Nota: 7/10
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Arenae Malvasia 2008
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Produtor: Adega Regional de Colares
Nota: 6,5/10
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Colares Chitas Branco 2006
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Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Nota: 6/10
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Fundação Oriente MJC Tinto 2005
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Produtor: Fundação Oriente
Nota: 7/10
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Fundação Oriente MJC Tinto
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Produtor: Fundação Oriente
Nota: 7/10
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Viúva Gomes 2003
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Produtor: Jacinto Lopes Baeta
Nota: 5/10
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Viúva Gomes Reserva 1969
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Produtor: Viúva Gomes
Nota: 8/10
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Adega Regional de Colares 1992
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Produtor: Adega Regional de Colares
Nota: 7/10

sábado, abril 17, 2010

Bang! Bang!

O que se faz a alguém que comete sistemáticos infanticídios vínicos? Não sejam demasiado duros.

quinta-feira, abril 08, 2010

Como fazer «Champanhe» em casa

A minha mãe, que é um doce, ofereceu-me um livro delicioso: «Escola de Noivas», de Laura Santos. Pelo título se deduz que é coisa antiga, do tempo em que as senhoras estavam em casa e cuidavam dos filhos e marido.
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Pois eu, que não sou casado, não senti como uma indirecta para que contratualize um relacionamento. O presente veio por causa duma receita e logo me agradou. Gosto de livros, gosto de livros com idade, gosto de ver o que se gostava noutros tempos, gosto de comida e assuntos de mesa… logo, gostei. O livro até ensina etiqueta, vejam bem.
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A «Escola de Noivas» tem dicas e sugestões importantes, conselhos pertinentes e ensinamentos abundantes. Um há que bateu todos os recordes; a receita de Champamhe, sem aspas nem itálico. Deixo aqui, na íntegra, o modo de o fazer. Agora é fácil e podem divertir-se em casa…
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«Vinho branco – 10 litros
Açúcar – 400 gramas
Bicarbonato de sódio – 60 gramas (dividido em 13 papéis)
Ácido tartárico – 50 gramas
Garrafas – 13
Rolhas novas – 13
Arame – 13 pedaços de 42 centímetros cada
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Dissolve-se o ácido tartárico, em uma pequena porção de vinho, junta-se o açúcar e mais um litro de vinho, filtra-se esta mistura para o garrafão onde estão os restantes 9 litros de vinho.
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Enchem-se as 13 garrafas próprias para champanhe deixando uns 5 centímetros por encher. Depois das rolhas fervidas e do vinho todo engarrafado, procede-se ao arrolhamento, parte essencial deste trabalho, porque tem de ser muito rápido
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Deita-se o conteúdo de um papel de bicarbonato numa garrafa e imediatamente se rolha, antes que ferva. Bate-se a rolha até introduzir completamente. Por fim coloca-se arame do mesmo modo como tem qualquer garrafa de champanhe».

quarta-feira, abril 07, 2010

Vinhos Abreu Callado

Em primeiro lugar tenho a dizer que não conhecia a Fundação Abreu Callado até receber, por email, uma missiva em que me propunha que provasse os seus vinhos. De facto, há tantos produtores no país que é impossível conhece-los a todos, para mais uma pessoa como eu, que não vive da crítica e apenas baseia as suas notas, sobretudo, nas incursões por garrafeiras ou na partilhas com amigos.
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Após uma pesquisa na internet, encontrei o sítio da fundação, onde fiquei a saber um pouco mais, pois a caixa que me entregaram não trazia qualquer informação. O recipiente trazia, sim, uma amostra de cinco vinhos tintos, reflectindo a gama produzida. Há ainda um branco, mas esse ficou na herdade.
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No sítio fiquei a saber que a instituição surge da iniciativa benemérita de Cosme Abreu Callado. Com os pais criou um asilo para idosos e reformados da sua casa agrícola. A educação é outro das actividades desta fundação de Benavila, em Avis.
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Seguidamente apresentarei, em postas individuais, os diferentes vinhos mandados para prova. Genericamente, tenho a referir que apreciei a moderação de madeira, que, contudo, também se fez presente. Na maioria das situações, o vinho encontrou-se com as barricas durante apenas seis meses. O topo de gama viveu-a por oito meses.
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A contenção de madeira dita, obviamente, o preço dos vinhos, visto o custo de produção ser menor. Assim, os vinhos da Fundação Abreu Callado apresentam-se a preços convidativos, que não ferem a bolsa nem insultam o apreciador. São vinhos com muito boa relação entre a qualidade e o preço, não são Ferraris. Uma excepção, o topo de gama pareceu-me com preço bastante acima do desejável.

Abreu Callado Cadeira da Moira Aragonês 2007

Frutos vermelhos, um pouco compotados,, notas vegetais e madeira notada. O final, não muito longo, mostrou-se competente para um vinho deste segmento. Com taninos suaves, este é um vinho fácil de se beber.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Fundação Abreu Callado
Nota: 5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

Abreu Callado Tinto 2007

Este vinho ostenta como marca a própria designação da Fundação que o produz, assumindo-se, assim, como rosto da casa. E não desonra os progenitores, mostrando bastante qualidades.
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Obtido a partir das castas aragonês, touriga nacional e alicante bouschet, este vinho conheceu um estágio de seis meses em barricas de carvalho francês.
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Mostrou-se mediano nos aromas, sem rasgo de nota, mas não prejudicando a avaliação. Nele se notam claramente fruta vermelha, ervas e alguma tosta. A boca aprecia-o, taninos e final.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Fundação Abreu Callado
Nota: 5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

Abreu Callado Horta da Palha Touriga Nacional 2007

Mais um vinho que se bebe com agrado, sem maçar nem pretender mais do que aquilo que é. Bom corpo e final competente. Gostei do toque da madeira, com o seu empréstimo de cacau, que não distraiu a fruta.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Fundação Abreu Callado
Nota: 5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

Abreu Callado Reserva 2008

Feito com touriga nacional, aragonês, e alicante bouschet, conheceu seis meses em barricas de carvalho francês. Apreciei os taninos, que mostraram elegância. No aroma notei a tosta, que não tapou a fruta silvestre.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Fundação Abreu Callado
Nota: 5,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

Abreu Callado Dom Cosme Reserva 2006

Um vinho mais vistoso que os seus manos, com boa estrutura, final a agradável, taninos polidos… No aroma mostrou fruta madura, sobretudo maçã, e sem enjoos, mostrando bom balanço com a madeira.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Fundação Abreu Callado
Nota: 6,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

sábado, abril 03, 2010

Casa da Arrochella Grandes Quintas - Azeite Virgem Extra

Grandes Quintas ou grandes de quinta? É uma questão que se coloca em relação aos produtos da Casa da Arrochella, cujos vinhos já aqui foram notados. O azeite, talvez o primeiro produto da casa a dar fama, é do mais interessante que meti na boca, em termos deste óleo natural, pelo menos nos últimos tempos. Tenho a sensação que vai perdurar.
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Trata-se dum azeite virgem extra obtido a partir das variedades verdeal, madural e negrinha, frutos típicos da região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Este é um óleo não filtrado, pelo que pode criar depósito na garrafa, adverte o produtor.
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O aroma é rico e complexo, apetecendo permanecer a pesquisar o que vem à memória. Notei-o bem verdáceo, muito fresco, portanto, mas igualmente frutado, nomeadamente maçã. O sabor é uma explosão agradável, pois picante, amargo e verdoso, com subtilezas que se vão descobrindo. Intenso, mas longe da rusticidade de muitos azeites portugueses. Este é um azeite de salão, ideal para saladas e temperos em fresco.
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Nota: Este azeite foi enviado para prova pelo produtor.

sábado, março 27, 2010

Quinta da Lagoalva de Cima Late Harvest 2008

É uma festa de Primavera, este colheita tardia da Lagoalva, casa antiga na lavoura e em Alpiarça. Primavera a que só faltam os passarinhos a piar, porque flores e fruta não lhe faltam.
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Muito elegante e untuoso, este vinho promete fazer furor. A mim deu-me para sonhar com uma tranche de fois gras… mas que sonho! No nariz é a já dita festa primaveril, em que aromas de flores e de fruta suculenta se entrelaçam-se sucedendo-se.
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Enquanto a muitos colheitas tardias portuguesas falta a botritis, para cortar e temperar o doce, este vinho tem-na, o que lhe dá, obviamente, uma outra graça.
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Origem: Ribatejo
Produtor: Quinta da Lagoalva de Cima
Nota: 8/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

Cadouços Natur 2007

Parece que, aos poucos, as práticas de agricultura mais respeitosas do ambiente estão a chegar. O vinho também vai conhecendo, timidamente, essa realidade. Ainda existe muito a convicção que a prática de agricultura biológica prejudica ou vinho ou só resulta em mediocridade. Nada mais errado, uma coisa não tem nada a ver com outra.
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Há uma razão para a desconfiança: durante muito tempo, os vinhos produzidos em regime biológico era produzidos por uns excêntricos mais preocupados com a questão ambiental do que com a qualidade.
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Hoje, o tempo vai sendo outro. Porém, muitos dos produtores que a praticam têm ainda receio de certificar as práticas biológicas ou de as assumir publicamente. Apesar de tudo, os exemplos vão-se somando.
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Uns amigos ofereceram-me, com recomendação, o Cadouços Natur, tinto ainda classificado com a antiga nomenclatura de regional ribatejano. Quase tímidos, deram-me a entender que tinha sido feito em regime biológico, por forma a «perdoar-lhe» qualquer coisinha (ao vinho e ao ofertante). Preconceitos.
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Este Cadouços Natur é um vinho bem fácil de se gostar, sem arestas nem pretensiosismos. Vivaço, com madeira discreta e repleto de fruta vermelha.
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Origem: Regional Ribatejano
Produtor: Herdade dos Cadouços
Nota: 6/10

domingo, março 21, 2010

Quinta da Lagoalva Reserva 2008

Belíssimo tinto, com bom corpo, bons taninos, bom final. Se bem me lembro de colheitas anteriores, este é o melhor reserva produzido por esta casa de Alpiarça.
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Criado a partir de uvas alfrocheiro, cabernet sauvignon e sirah, este vinho espelha bem, tanto aroma como boca, as características das suas castas, que não perderam identidade com a madeira que as guardou. No nariz, notas de manteiga, cacau, pimento e compota de ginja. Boca gulosa sem demasia.
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Quinta da Lagoalva de Cima
Nota: 7,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

Quinta da Lagoalva 2008

Feito com castelão e touriga nacional, em partes iguais, este tinto ribatejano mostrou-se bem interessante em conversa e a acompanhar carnes vermelhas simples. Deu bom prazer.
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Origem: Regional Tejo
Produtor: Quinta da Lagoalva de Cima
Nota: 5,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

domingo, março 07, 2010

Tapada da Tojeira - azeite

Luís Coutinho, da Tapada da Tojeira, é um pequeno produtor de azeite que coloca paixão naquilo que faz. A quinta tem uma ligação ao mundo das artes, o que só abona a seu favor. Situada no concelho de Vila Velha de Ródão, na quente Beira Baixa, mas perto do Tejo, dedica-se, entre outras coisas, à azeitona em cura tradicional e à pasta de azeitona, tendo sido, provavelmente, a primeira casa a fazê-lo em Portugal.
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Embora situada dentro duma demarcação oleícola, o azeite da tapada da Tojeira não tem certificação de origem. Tem antes de prática agrícola: o olival é todo explorado em sistema de agricultura biológica, portanto, sem qualquer adição de produtos de síntese. Este azeite resulta apenas duma primeira pressão a frio.
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Feito sobretudo com azeitonas galegas, tem um forte carácter doce, mas está temperado com notas verdes e picantes. Luís Coutinho optou por fazer duas apanhas, uma mais cedo, que conferiu o picante e a verdura, e outra em Dezembro, responsável por maior doçura e suavidade.