segunda-feira, outubro 16, 2017

José de Sousa 2015 + José de Sousa Mayor 2015 + J de José de Sousa 2014 + Puro Talha Branco 2015 + Puro Talha Tinto 2015

A fabricação de vinho em recipientes de barro tem séculos e não é exclusivamente portuguesa. Contudo, o processo não deixa de estar na tradição alentejana – cuja introdução é geralmente atribuída aos Romanos.
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O método caiu em desuso e perdeu-se o conhecimento de produção das talhas. Como resultado, quem as quiser tem de as comprar a preços, que dizem, elevados.
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Nada que não se resolva, pois no Cáucaso – onde se vinifica em grandes ânforas – ainda são moldadas. Digo com a certeza dos ignorantes, é só contratar um artesão e levá-lo ao Alentejo.
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A produção de vinho em talha é residual, mas tornou-se num interessante produto de marketing. Há lotes parcialmente feitos nesses depósitos – alguns com décadas, como nesta casa, onde não se trata de mero argumento comercial – e quem se aventure na totalidade do processo.
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Os puristas afirmam que engarrafar vinhos de talha é uma modernice, que não tem qualquer referência histórica nem tradição. Dizem que a verdade habita nas tabernas alentejanas.
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Essa é discussão em que não me meto. Sei que o vinho vindo da talha é diferente e que acrescenta paixão aos enófilos.
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A firma José Maria da Fonseca há muitos anos que utiliza vinho em talha para fazer o lote do José de Sousa. Agora, apresenta um branco e um tinto integralmente produzidos nas ânforas. O resultado é muito feliz, não apenas pela diferença, mas também pela qualidade formal.
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Os Puro Talha Branco 2015 e Puro Talha Tinto 2015 foram apresentados conjuntamente com as novidades aneiras da José Maria da Fonseca. O momento de debutar assinalou também uma recolocação da Adega José de Sousa na empresa-mãe. A ideia é a de autonomizar a marca, aproveitando a tradição identitária e reputação da casa alentejana.
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Esta decisão vem fazer justiça, pois a Adega José de Sousa é uma casa quase tão antiga quanto a José Maria da Fonseca – a alentejana reporta a 1878 e a de Azeitão a 1834 –, com carácter próprio e reputação de qualidade.
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O José de Sousa 2015 é fiável – se há algo que muito aprecio é a fiabilidade. Chateiam-me aqueles vinhos (referências) que umas vezes são bons e noutras resultam maus. Isso não tem nada a ver com os anos, mas com a consistência.
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Certamente que uma referência tão antiga conheceu alterações com o tempo. É mais do que provável subtis correcções de perfil do vinho. Os consumidores substituem-se, mas outros mantêm-se. Compreendo que agradar aos habituais e não deixar de seduzir os novos não seja tarefa fácil. Aqui há ainda o respeito pela variação dos anos, mantendo-se o patamar da qualidade.
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O José de Sousa 2015 é uma junção das castas grand noir (52%), trincadeira (33%) e aragonês (15%). Estes vinhos fazem parte da minha memória. Nunca conseguirei ser totalmente isento na avaliação – refiro-me ao gosto pessoal e com rótulo à vista. A parcialidade, no blogue, é assunto reconhecido e assumido por mim. «Cientificamente» é igualmente um vinho de grande qualidade. Ponderando, sinto-lhe o mesmo nível, tanto na a emoção quanto na frieza.
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Embora o lote se tenha feito com as mesas castas, a personalidade do José de Sousa Mayor 2015 é diferente: grand noir (58%), trincadeira (30%) e aragonês (12%). Noto-o mais fresco, complexo e longo na boca face ao anterior.
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 J de José de Sousa 2014 é um grande vinho em qualquer parte do mundo. Este não foi da única colheita que bebi, este pareceu-me estar mais alto. Porquê? Por todas aquelas coisas que têm vinhos superiores: complexidade aromática e de paladar, evolução no copo, comportamento e demora na boca. Essas coisas.
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Parece-me que chegou, ou vai chegando, a moda da mineralidade. Os vinho da José de Sousa sempre tiveram essa característica, herdada dos solos graníticos de Reguengos de Monsaraz. Os Puro Talha têm o acrescento das notas barrentas, atribuídas pelas ânforas, e de salinidade.
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A malta da ciência encartada e a da verdadeira ciência aqui não é chamada, ou então guarde a sapiência exacta na bata laboratorial ou na dos equívocos. Não sei como avaliaria estes vinhos de talha se me aparecessem às cegas.
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São estranhos. Não só os artesanais não se parecem com nada, como estes, construídos por gente séria e competente, também não se parecem com coisa nenhuma. Sabia o que estava a provar, depois beber, e houve erros de paralaxe – não duvido, é a emoção. Contudo, a qualidade formal está lá.
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Quero lá saber das formalidades! Aqui no blogue reina o sentimento. Com tempero de sensatez – nunca pontuei mal um vinho bom e que não me agradasse na boca e no nariz –, digo que são dois belíssimos vinhos estranhos. Um enófilo curioso e/ou com vontade de aprender, tem de conhecer os Puro Talha, pois são muito didácticos.
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Na Adega José de Sousa existem 114 talhas – um tesouro, literal em valor em euros e enológico. Os dois Puro Talha fizeram-se mantendo a tradição do mandar tudo lá para dentro. O branco fez-se com antão vaz, diagalves e manteúdo, em proporções não especificadas. O tinto com grand noir (50%), trincadeira (30%), aragonês (10%) e moreto (10%).
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José de Sousa 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca
Nota: 7/10
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José de Sousa Mayor 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca
Nota: 8/10
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J de José de Sousa 2014
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca
Nota: 9/10
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Puro Talha Branco 2015
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Origem: Alentejo
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca
Nota: 8/10
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Puro Talha Tinto 2015
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Origem: Alentejo
Produtor: José de Sousa / José Maria da Fonseca

Nota: 8/10

Ervideira – Prova comparativa dos «Vinho da Água» e dos que estagiaram à superfície

Duarte Leal da Costa não tem só um apurado sentido comercial e de promoção. Mais do que coisas conhecidas da tribo do vinho, o homem da Ervideira arrisca. Felizmente, para ele e para quem prova e bebe, os resultados são positivos.
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Assumo-me céptico – muitas vezes com incredibilidade peremptória – e pessimista. Quando Duarte Leal da Costa depositou umas garrafas de vinho sob a água da barragem de Alqueva disse:
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– Ah e tal! Condições controladas cá fora dão o mesmo resultado! É golpe para vender vinho.
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Marketing não é pecado nem crime. Disse isso porque sinceramente acreditava que se tratava apenas duma boa iniciativa de promoção.
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Como é recorrente, a realidade bateu-me à porta e esbofeteou-me. Vermelho da vergonha e da pele escaldante dos estalos, assumo que, provados, os vinhos que ficaram guardados à superfície e os mergulhados… estão diferentes.
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Tantas e tantas vezes repito uma mínima parte d’ Os Lusíadas. Digo-o para mim, para que me mantenha céptico – não quanto à ciência – relativamente a mim e que tenha abertura de espírito para compreender o que se diz diferente ou novo.
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Os sábios do século XVI – como anteriores e futuros – desdenharam do que desconheciam. Os marinheiros eram homens duros e dados à fantasia. O fogo de Sant’Elmo era uma patranha. Embarcado, Luís de Camões testemunhou várias dessas supostas invenções. Por isso escreveu as maravilhas fabulosas, sentenciando:
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– Vejam agora os sábios na escritura / que segredos são estes da Natura.
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Sabendo que os vinhos são os mesmos, as condições de luz e quietude idênticas. No solo, a temperatura de arranque estava a 13 graus e foi até aos 20, e os submersos mantiveram-se a 17 graus. Duarte Leal da Costa referiu existirem condições de humidade comparáveis. As garrafas eram idênticas. Obviamente, a pressão é diferente – quatro quilogramas mais nos aquáticos. Os níveis de acidez mantiveram-se, tal como os de açúcar.
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– O que determina as diferenças?
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– Serão as nuances suficientes para as alterações? Quais ou em conjugação?
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Não se sabem as razões, mas há quem esteja a fazer um mestrado tendo este assunto como tema.
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Os primeiros em prova não eram exactamente idênticos. Os espumantes comparados foram três:
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– Vinha d’Ervideira Espumante 2015.
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– Vinho da Água Espumante 2015 – maturado com degorgement.
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– Vinho da Água Espumante 2015 – maturado com leveduras.
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O primeiro mostrou-se muito fresco, com notas de maçã reineta caramelizada. O segundo estagiou a 30 metros de profundidade e estava mais guloso. O terceiro registou a segunda fermentação sob a água e tornou-se mais complexo, em aromas e sabores.
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Quanto aos brancos tranquilos, provaram-se:
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– Conde d’Ervideira Reserva Branco 2015.
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– Vinho da Água Branco 2015.
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Também aqui, o mergulhado ganhou complexidade e registaram-se acrescentos de frescura e vivacidade, mais gastronómico.
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Os tintos em avaliação foram quatro:
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– Conde d’Ervideira Reserva Tinto 2014.
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– Vinho da Água Tinto 2014.
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– Conde d’Ervideira Reserva Tinto 2015.
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– Vinho da Água Tinto 2015.
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As conclusões não divergiram! Maior frescura, maiores complexidades de aromas e sabores, mais prazenteiros, com uma gulodice – não derivada de doçura – incrível.
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– Vejam-me agora tolo da escritura / que segredos são estes da Natura.
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Duarte Leal da Costa, obrigado por esta tareia no meu preconceito!

Fiuza Chardonnay 2016 + Fiuza Rosé 2016

A região do Tejo tem conhecido uma assinalável melhoria. Não só da percepção, mas sobretudo da qualidade – o que alimenta a reputação.
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Ainda o Tejo era Ribatejo – designação com má fama – e já a Fiuza & Bright produzia vinhos de qualidade. Não foi a única pioneira, mas, puxando pela cabeça, lembro-me de mais quatro casas. Possivelmente estarei a ser injusto, mas é a memória:
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– Quinta da Alorna, Casal Branco, Casa Cadaval e DFJ.
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Com o tempo foi aparecendo mais gente com espírito de trabalhar para a qualidade. Chegaram empresas doutras regiões, formaram-se grandes produtores, cooperativas mais empenhadas e surgiram pequenas adegas de projecto de enólogo.
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Até há uns anos – nem muito distantes – o modelo era conseguir grandes quantidades, para as garrafas serem vendidas a preço de saldo.
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De há uns anos para cá, mudou muita coisa. Não apenas a alteração da designação. As vinhas deixaram os terrenos mais ricos, que possibilitavam as grandes quantidades, e os mais pobres receberam-nas.
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Não gosto – muito raramente refiro ­– de abordar a questão do dinheiro. Cada um tem o seu gosto, sabe do recheio da sua carteira e tem o seu limite de predisposição a gastos. Por isso, considero que estabelecer relação entre a qualidade e o preço é tarefa apenas pessoal e, quanto a mim, abusada quando não referente a quem a diz.
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Contudo – não me referindo especificamente a marcas e regiões – vejo no Tejo vinhos com valores muito moderados. Acabo aqui o tema.
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Enviaram-me dois vinhos, um branco e um rosado, para acompanhar sushi, que chegou na mesma encomenda.
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Uma vez que não como peixe, a maridagem foi avaliada por pessoas que convidei. Fugi e não toquei na garrafa de branco. Garantiram-me que comportamento foi muito bom, muito feliz. Aliás, ninguém se arriscaria a inventar um casamento entre comida leve e um tinto pesado – obviamente, um trabalho profissional!
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O rosado foi bebido depois – pela sua doçura, achei-o mais para convívio descontraído do que para acompanhar uma refeição.
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Foram eles:
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– Fiuza Chardonnay 2016 – que estagiou dois meses em barricas de carvalho.
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– Fiuza Rosé 2016 – lote de cabernet sauvignon e touriga nacional.
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Ambos com saudáveis taxas de álcool; o branco 12,5% e o rosé 11,5%.
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Visto não ter tocado no chardonnay e não poder também fazer justiça à ligação do peixe com o rosado, vou abster-me de atribuir notas.
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Nota: Os vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

domingo, outubro 15, 2017

Tons de Duorum Branco 2016

O calendário manda, mas São Pedro desmanda. Outubro e temperaturas de Junho e Julho e não chove.
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Se o Verão formalmente acabou, não deixa de ser tempo para um vinho branco leve. Aliás, embora a natureza enquadre os desejos, a vida seria muito austera se nos agarrasse-mos à formulação dos brancos para o estio e os tintos para o frio.
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Passando os considerandos, o Tons de Duorum Branco 2016 mantém-se fiel ao estilo e à qualidade. Um vinho descontraído, que não é de piscina. Contudo, também refresca um começo de conversa antes da mesa.
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Tons de Duorum Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Nota: 5/10

Adega Mayor Pinot Gris 2016

Dez anos é muito ou pouco? A Adega Mayor foi fundada em 2007 e é uma referência.
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Dez anos é muito ou pouco? Mudou de enólogo e a qualidade mantém-se, em consistência e respeito pela diversidade dos anos.
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Uma década depois, a Adega Mayor reviu o grafismo da identidade. Deu a conhecer em Lisboa os novos vinhos.
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Os Caiado, na entrada de gama, estão bem fixos, mantendo-se apelativos e descontraídos.
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Os monovarietais – Adega Mayor Pinot Gris, Adega Mayor Pinot Noir, Adega Mayor Touriga Nacional, Adega Mayor Verdelho, Adega Mayor Viognier – estão com um andamento de prazer e revelando-se didácticos, para compreender cada uma das variedades.
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Acima, os Adega Mayor Reserva do Comendador e Adega Mayor Grande Reserva Pai Chão são incontornáveis quando se enumeram os grandes vinhos alentejanos.
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Em Junho, a Adega Mayor teve uma loja-breve, surgida para mostrar experiências na ligação do vinho com a comida de talheres, sendo esta servida directamente na mesa. Desse momento, já findo, ficou-me um vinho a repetir o seu nome.
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Em Junho, provada a gama, a surpresa foi uma não-surpresa – já me convenci e habituei. Os monovarietais no nível da excelência e os de cima no patamar fantástico, estando o Pai Chão um pouco acima do Reserva.
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Contudo, houve mesmo uma revelação. O Adega Mayor Pinot Gris 2016 deu cabo do meu coraçãozinho!
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Adega Mayor Pinot Gris 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Adega Mayor
Nota: 8/10

Monólogo Arinto 2016 + Monólogo Avesso 2016 + Monólogo Chardonnay 2016

Vieram-me novos três Monólogos, vinhos da região dos Vinhos Verdes, sendo que um está classificado como Regional Minho, derivado de ter sido feito com uma casta não aceite para denominação de origem.
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Depois dos 2015, vieram os 2016. Provados uns e outros, consultada a memória e revendo os apontamentos, acho-os consistentes. As colheitas, por mim, conhecidas apresentam uma continuidade de perfil. O que é bom. Mas mostram as diferenças dos anos, o que é melhor.
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Feito o balanço, mantenho as avaliações.
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Monólogo Arinto 2016
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Origem: Vinhos Verdes
Produtor: A&D Wines
Nota: 6,5/10
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Monólogo Avesso 2016
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Origem: Vinhos Verdes
Produtor: A&D Wines
Nota: 6,5/10
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Monólogo Chardonnay 2016
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Origem: Regional Minho
Produtor: A&D Wines
Nota: 6/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

sábado, outubro 14, 2017

Hexagon Tinto 2009

O Hexagon tornou-se em conversa recorrente cá em casa. Desde o primeiro que me espanto e deixo os convidados a sorrir. O tinto de 2009 não poderia ter outra sina.
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Hexágono porque as uvas são seis e vêm de seis sítios, todos na região da Península de Setúbal. A equipa é formada por syrah, tannat, tinto cão, touriga francesa – o mestre Domingos Soares Franco tem razão em a chamar assim, como fora antigamente –, touriga nacional e trincadeira.
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Encheram-se muito poucas garrafas, apenas 9.100. São 0,75 litro de prazer complexo, duradouro e que se vai modificando com o tempo no copo.
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Hexagon Tinto 2009
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Origem: Regional Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 9/10 

sexta-feira, outubro 13, 2017

Vinhos de homenagem da Casa Ferreirinha

Só se é grande depois da matéria do corpo se diluir na natureza. Homenageá-los é também uma celebração aos que lhe sobreviveram ou continuaram. Quando em vida se transmite a obra a quem lhe dá seguimento é uma dádiva.
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O marquês de Pombal criou a demarcação do Douro e Dona Antónia Adelaide Ferreira matou a fome às gentes empobrecidas pelos malogros do vinho, o que lhe valeu a alcunha terna de «Ferreirinha».
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Pessoas com essa dimensão são raras. Todavia, há também quem marque e molde, herdeiros e testamenteiros. A Sogrape lançou dois vinhos de homenagem:
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– Casa Ferreirinha – Antónia Adelaide Ferreira Douro DOC Tinto 2013
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– Legado Tinto 2012
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O primeiro lembra a visionária e poderosa lavradora duriense. O segundo é a bênção do Senhor Fernando Guedes a quem ama.

Moscatel de Setúbal de 1911

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Por um Moscatel de Setúbal de 1911 vendo a alma ao Diabo. Mas não a entrego, para que me pague o dobro e assim possa sentir esse vinho, mas ido e regressado além do paralelo do Equador.
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O Navio Escola Sagres levou um casco desse vinho, um de Bastardinho de 2011 e um Moscatel de Setúbal de 2016 – todos da firma José Maria da Fonseca. O objectivo é o de os comparar com os iguais que permaneceram nas caves – embora se saiba, desde há muitos anos, que os torna-viagem evoluem diferentemente.
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O comércio da alma é possível? Sábios de várias cátedras, sacerdotes de diversos ritos, escritores, especuladores e vigaristas disseram, ao longo dos séculos, que sim. Até há livros que ensinam as fórmulas e os procedimentos.
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O problema é que não sou Fausto e o Diabo não existe.
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Dr. Fausto pintado por Georg Friedrich Kersting.
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Contrato celebrado entre o Diabo e Urban Grandier, sacerdote católico sentenciado à morte, na fogueira, por bruxaria.

Colinas do Douro Colheita Tardia 2015 + Colinas do Douro Superior Branco 2015 + Colinas do Douro Verdelho 2015 + Colinas do Douro Branco Reserva 2015 + Colinas do Douro Superior Rosé 2015 + Colinas do Douro Tinto 2015 + Colinas do Douro Reserva Tinto 2015 + Quinta da Pedra Cavada Grande Reserva 2012

A firma Colinas do Douro é recente, mas começa bem. Situa-se no Douro Superior, mas próxima da Beira Interior. Quer isto dizer que o chão não é totalmente de xisto, mas também de granito. Estas duas pedras conjugadas com a altitude traduzem-se em complexidade e frescura.
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Conheci este produtor no Festival do Vinho do Douro Superior de 2017, que se realizou em Foz Côa, entre 19 e 21 de Maio. A firma deu a conhecer os seus vinhos, mas pouco mais se divulgou. O balanço é muito positivo.
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Jorge Rosa Santos, que se projectou no produtor Casal de Santa Maria, é o responsável técnico da Colinas do Douro Superior. O trabalho em Colares foi muito elogiado e, agora no Douro, e certamente continuará a ser no Douro.
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Tanto os brancos quanto os tintos mostraram-se muito gastronómicos, com frescura e elegância. Conhecendo-os na boca bem se entende que espelham essa terra de transição.
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O Quinta da Pedra Cavada Grande Reserva 2012 é um grande vinho, com a alma do Douro.
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Colinas do Douro Colheita Tardia 2015
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Produtor: Colinas do Douro
Nota: 6/10
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Colinas do Douro Branco 2015
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Origem: Douro
Produtor: Colinas do Douro
Nota: 6/10
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Colinas do Douro Verdelho 2015
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Origem: Douro
Produtor: Colinas do Douro
Nota: 5,5/10
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Colinas do Douro Branco Reserva 2015
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Origem: Douro
Produtor: Colinas do Douro
Nota: 7/10
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Colinas do Douro Rosé 2015
Origem: Douro
Produtor: Colinas do Douro
Nota: 5,5/10
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Colinas do Douro Tinto 2015
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Origem: Douro
Produtor: Colinas do Douro
Nota: 6/10
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Colinas do Douro Reserva Tinto 2015
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Origem: Douro
Produtor: Colinas do Douro
Nota: 7/10
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Quinta da Pedra Cavada Grande Reserva 2012
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Origem: Douro
Produtor: Colinas do Douro
Nota: 8/10