segunda-feira, dezembro 11, 2017

Cheda Branco 2016 + Cheda Riesling 2014 + Cheda Reserva Branco 2016 + Cheda Tinto 2016 + Cheda Reserva Tinto 2015

Dois brancos, uma outra coisa e dois tintos. A outra coisa é um surpreendente riesling. Cinco vinhos da Lavradores de Feitoria, a gama Cheda. Os brancos e o «normal» tinto com uma frescura improvável no Douro, não há muito tempo. Há o outro com o calor que a frescura permite, medida pelo agrado com que vai para a mesa – belíssimo.
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O Cheda Branco 2016 é um bom vinho, uma escolha acertada para uma refeição, não necessariamente muito leve, descontraída e de conversas deambulantes. Contudo, tem pouco para contar. Fez-se com gouveio, malvasia fina e síria.
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Ao contrário do que muita gente pensa, não tenho nada contra castas exóticas. Desde que não sejam permitidas nas indicações geográficas, que devem permanecer tradicionais. Portanto, ter um vinho de riesling no Douro não me arrepia. O Cheda Riesling 2014 é uma novidade… que pena não ter surgido há mais anos.
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O Cheda Reserva Branco 2016 fez-se com gouveio, malvasia fina e viosinho tem felicidade. Junta fruta e elegância, com corpo para comidas mais fortes – curioso. Este parágrafo curto não é deselogio.
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Os tintos jovens e com pouca percepção de madeira não são para mim. Quando novos temo-os como a um grupo de adolescentes divertindo-se na rua. Não sendo caruncho, gosto de sentir a civilização. Por isso, um vinho como o Cheda Tinto 2016 não me teria agradado.
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Não o quero elogiar demasiadamente, porque, apesar de tudo, é novo e nota-se. Um terço do vinho estagiou em madeira – certamente (muito) usada – por pouco tempo. Fez-se com tinta roriz, touriga francesa e touriga nacional.
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O Cheda Reserva Tinto 2015 é outra coisa. É o Douro. Quem gosta de tintos do Douro – como eu – vai reconhecer-lhe a tinta roriz, prazentear-se na touriga nacional (duriense) e alegrar-se com a touriga francesa. Discreto madeiro de azinho e rusticidade da esteva – usei descritores? Devo estar doente!
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Cheda Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Nota: 5/10
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Cheda Riesling 2014
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Origem: Regional Duriense
Produtor: Lavradores de Feitoria
Nota: 7,5/10
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Cheda Reserva Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Nota: 6/10
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Cheda Tinto 2016
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Origem: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Nota: 4,5/10
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Cheda Reserva Tinto 2015
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Origem: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Nota: 7/10

Monte da Raposinha Branco 2016 + Nós Branco 2016 + Monte da Raposinha Rosé 2016 + Nós Tinto 2015 + Atayde Reserva Branco 2016 + Monte da Raposinha Tinto 2015 + Atayde Grande Escolha 2014

O Monte da Raposinha Branco 2016 sofre com a minha antipatia para com a casta antão vaz, apesar do arinto lhe dar frescura e a viosinho graça – o baixo teor de álcool, certamente devido a apanha precoce, traduz um cuidado para que a abominável não se descontrole. Embora este blogue seja, assumidamente, um caderno de paixão, tento não penalizar bons vinhos que me desgostam. É o caso.
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Já o Nós Branco 2016 excede-se em antão vaz. Como não sou grande apreciador de sauvignon blanc… mas adorador do arinto. A combinação das duas primeiras não é para mim, apesar da frescura da terceira. Aqui a ponderação tem de se manifestar maiormente.
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Ora aqui está um belo rosado! Monte da Raposinha Rosé 2016 tem a felicidade de apetecer à entrada de conversa, à refeição e junto a algumas sobremesas mais ligeiras. Fez-se em partes iguais de touriga nacional e aragonês.
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O Nós Tinto 2015 fez-se com uvas alicante bouschet, aragonês, touriga nacional e trincadeira. É um vinho que não me agrada nem desagrada. Não tem estórias. Sem dúvida que é bom vinho e tem uma boa nota. Mas é pouco mais do que circunstância.
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A casta chardonnay comporta-se diferentemente no meu agrado. Pode enfastiar-me, até a posso dispensar, e alegrar-me. O que encorpa (100%) o Atayde Reserva Branco 2016 fez-me cócegas. Tem relevo, não é fogo-de-artifício no olfacto e tem na mesa o seu palco.
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O Monte da Raposinha Tinto 2015 fez-se com uvas alicante bouschet, aragonês, syrah e touriga nacional. Juntas, com contida passagem por madeira, tornam-no numa boa opção para levar para uma mesa de família ao domingo.
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O Atayde Grande Escolha 2014 chega com o mesmo carácter da colheita anterior. Quem me lê sabe – quem não sabe fica a saber – que valorizo muito a regularidade, desde os vinhos mais modestos até aos de qualidade superior. Mas isso é diferente de uniformidade. Os vinhos desinteressantes pecam por uniformismo e os superlativos espelham – ou tendem – a climatologia e o ecossistema.
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O Atayde Grande Escolha 2014 é metades de aragonês e touriga nacional. Descritores, e paleio, acertado e politicamente correcto, são blá blá blá! Deu-me um grande gozo!
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Na apresentação do Monte da Raposinha regressou o Furtiva Lágrima 2013. Os sábios, os sobredotados e os parlapatões notarão aquela nano-diferença que resulta da passagem de um só ano, num vinho com juventude.
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Nem sábio, nem sobredotado nem parlapatão – espero não ser julgado como tal – deu-me o prazer permitido no ano passado e do modo que a memória me permite.
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Cito-me: «O Furtiva Lágrima 2013 é um tinto da categoria «não levar para o jantar de apresentação aos sogros». Os senhores ficariam a saber bem demais o que o genro/nora gosta da filha/o. É bom não os habituar mal. É sedutor e complexo aromaticamente. É fresco, com nervo, longo na boca e frescura. É 90% alicante bouschet e 10% touriga nacional». Notifiquei-o com 8,5/10.
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Monte da Raposinha Branco 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Raposinha
Nota: 5/10
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Nós Branco 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Raposinha
Nota: 5,5/10
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Monte da Raposinha Rosé 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Raposinha
Nota: 6/10
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Nós Tinto 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Raposinha
Nota: 4,5/10
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Atayde Reserva Branco 2016
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Raposinha
Nota: 6,5/10
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Monte da Raposinha Tinto 2015
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Raposinha
Nota: 6,5/10
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Atayde Grande Escolha 2014
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Raposinha
Nota: 7,5/10

Uma ironiazinha-inha-inha-inha

Com certeza que os territórios são diferentes – orografia, altitude, climatologia e biologia – mas há ligações e prolongamentos.
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Tanto que nasceu a necessidade de esconder, mentir e desvalorizar parentescos. Apesar de relativas a uma região de sucesso.
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Este Alentejo é diferente!
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Algum é-o. 

sexta-feira, dezembro 08, 2017

Uma irritaçãozinha-inha-inha

Há em Portugal uma confusão, dos produtores, quanto ao vinho estar esgotado. Comunicam-no tantas e tantas vezes e muitos jornalistas e bloguistas caem nessa realidade – sem qualquer maldade.
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Estará esgotado no negócio do produtor. Certamente, os distribuidores compraram-no ou levaram-no numa promessa. 
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Mas os distribuidores não representam o consumidor final. Têm um palpite, intuem, acertam e falham. Claro que há quem tenha a capacidade de fazer marcas, recorrendo a diferentes modos: comunicação, publicidade, noticário, distribuidores, restauração, hotéis e grandes superfícies – em relações complexas e interligadas .
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Porém, o sucesso dum vinho – como qualquer outro produto – está na decisão de quem vai a uma loja e compra.
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É o consumidor final o responsável por o esgotar nas prateleiras ou tornar-se num mono e que, tantas vezes, regressa a quem o fez.
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E se um vinho retorna... está esgotado?
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Esta coisa causa-me uma irritaçãozinha-inha-inha. Mas não me tira o sono.

terça-feira, dezembro 05, 2017

Selecção de Enófilos Reserva Tinto 2013 + Selecção de Enófilos Branco 2016

Olá. Primeiro refiro-me a algo que não tenho, propriamente, nada a ver:
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– Achei os rótulos confusos. Não lhe encontro a marca, embora saiba quem os fez e que, certamente, os clientes do Intermarché o saibam o que estão a comprar. Mas isso não basta.
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Toda a parte visual me parece confusa – um refere DO Tejo e o outro apenas Bairrada. Mais não digo, porque não me enviaram as garrafas para avaliar o design funcional e a qualidade estética.
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Não sendo um cliente do Intermarché, o meu conhecimento da sua garrafeira é praticamente nulo. Porém, também não me pediram para ser consultor de vendas.
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Quando me dirijo a lojas desta cadeia de distribuição tem-me parecido haver uma aproximação aos produtos gastronómicos dos locais.
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O que tenho de referir é a qualidade dos vinhos. Tanto no Intermarché, como noutras empresas de distribuição, está a verificar-se um esforço para subir a qualidade dos vinhos de marca própria.
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A firma chamou duas empresas de referência, nas duas denominações de origem, para corporizarem o vinho da sua marca: Caves Primavera (Bairrada) e Quinta da Alorna (Tejo) – duas regiões que, até não há muitos anos, não tinham uma fama visivelmente reconhecida.
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O Selecção de Enófilos (branco) 2016 fez-se com uvas das castas fernão pires e moscatel graúdo. O Selecção de Enófilos (tinto) 2013 corporizou-se com touriga nacional, tinta roriz e baga.
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Não se está presente vinhos de qualidade excepcional – seria bizarro – mas com uma qualidade que, não só não envergonha ninguém, como traduz uma aposta em maior qualidade.
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Como é hábito, não dou indicações de relação entre a qualidade e o preço. O que posso dizer é que vale a pena dar atenção as estes dois vinhos, para depois sentenciar
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Selecção de Enófilos 2016
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Origem: Tejo
Produtor: Intermarché/Quinta da Alorna
Nota: 4,5/10
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Selecção de Enófilos
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Origem: Bairrada
Produtor: Intermarché/Caves Primavera
Nota: 4,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

domingo, outubro 29, 2017

Ferreirinha Porto Vintage Quinta do Porto 2015

O vinho que veio a seguir mereceu um preâmbulo idêntico. Aliás, um texto igual, só mudando as designações
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Cá vai:
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O que escrevo aqui é válido para qualquer Porto Vintage ou qualquer outro vinho.
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Como se deve classificar um vinho velho? Uns envelhecem bem, outros assim-assim e ainda outros mal. É sabido que o mesmo vinho em garrafas diferentes se pode comportar diferentemente – um fenómeno muito comum.
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Para acrescentar dificuldades, o modo de armazenamento determina muito do que será o resultado final. E, quanto mais velho, todas as condicionantes se pronunciam mais, para o bom e para o mau.
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Avaliar como? Como o vinho está ou como se espera que virá a estar? O miúdo malcriado poderá ser um adulto cuidadoso e o certinho transformar-se num imbecil.
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Para um Vinho do Porto ser declarado vintage é obrigatório cumprir um conjunto de especificações, avaliadas por um conjunto de peritos do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, a entidade de supervisão e de certificação.
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Claro, que os vinhos não têm todos a mesma qualidade. Mas com um patamar de exigências tão elevado…
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Vintage é sinónimo de data de colheita e modo de fabricação, não é de roupa ou de tralha – essas são velharias ou antiguidade. Os Portos Vintage devem ser consumidos com idade, de modo a sublimarem as suas características mais nobres. Como não vivemos numa ditadura do gosto, cada um aprecie como entender. Quanto a mim, a regra é do prazer.
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Um Porto duma só quinta significa o óbvio: vem de uma só propriedade. Para muitos, os vintage produzidos com vinhos de vários locais têm uma qualidade superior. Possivelmente, a excepção seja a Quinta do Noval.
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Realço aqui que já bebi Portos Vintage de várias quintas que eram inferiores aos produzidos numa só propriedade. Noto novamente que é um patamar onde só os melhores conseguem atingir.
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Um Porto vintage de 2015 é uma criança. Já gatinha, mas ainda é uma criança.
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O Porto Ferreirinha Vintage Quinta do Porto 2015 tem o que se exige… pleonasticamente uma grande complexidade, de aromas e paladares, componente táctil muito agradável e longo tempo do seu sentir na boca.
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Ora, o que acontece aqui? Hoje ou o amanhã? Digo acerca do hoje, até porque não é vintage qualquer vinho e peritos assim o entendem.
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Origem: Porto
Produtor: Casa Ferreirinha / Sogrape
Nota: 9/10
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Nota: este vinho foi enviado pelo produtor.

Sandeman Porto Vintage Quinta do Seixo 2015

O vinho que vem a seguir merece um preâmbulo idêntico. Aliás, um texto igual, só mudando as designações
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Cá vai:
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O que escrevo aqui é válido para qualquer Porto Vintage ou qualquer outro vinho.
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Como se deve classificar um vinho velho? Uns envelhecem bem, outros assim-assim e ainda outros mal. É sabido que o mesmo vinho em garrafas diferentes se pode comportar diferentemente – um fenómeno muito comum.
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Para acrescentar dificuldades, o modo de armazenamento determina muito do que será o resultado final. E, quanto mais velho, todas as condicionantes se pronunciam mais, para o bom e para o mau.
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Avaliar como? Como o vinho está ou como se espera que virá a estar? O miúdo malcriado poderá ser um adulto cuidadoso e o certinho transformar-se num imbecil.
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Para um Vinho do Porto ser declarado vintage é obrigatório cumprir um conjunto de especificações, avaliadas por um conjunto de peritos do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, a entidade de supervisão e de certificação.
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Claro, que os vinhos não têm todos a mesma qualidade. Mas com um patamar de exigências tão elevado…
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Vintage é sinónimo de data de colheita e modo de fabricação, não é de roupa ou de tralha – essas são velharias ou antiguidade. Os Portos Vintage devem ser consumidos com idade, de modo a sublimarem as suas características mais nobres. Como não vivemos numa ditadura do gosto, cada um aprecie como entender. Quanto a mim, a regra é do prazer.
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Um Porto duma só quinta significa o óbvio: vem de uma só propriedade. Para muitos, os vintage produzidos com vinhos de vários locais têm uma qualidade superior. Possivelmente, a excepção seja a Quinta do Noval.
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Realço aqui que já bebi Portos Vintage de várias quintas que eram inferiores aos produzidos numa só propriedade. Noto novamente que é um patamar onde só os melhores conseguem atingir.
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Um Porto vintage de 2015 é uma criança. Já gatinha, mas ainda é uma criança.
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O Porto Sandeman Vintage Quinta do Seixo 2015 tem o que se exige… pleonasticamente uma grande complexidade, de aromas e paladares, componente táctil muito agradável e longo tempo do seu sentir na boca.
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Ora, o que acontece aqui? Hoje ou o amanhã? Digo acerca do hoje, até porque não é vintage qualquer vinho e peritos assim o entendem.
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Origem: Porto
Produtor: Sandeman / Sogrape
Nota: 9/10
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Nota: este vinho foi enviado pelo produtor.

Quinta do Cardo Chardonnay Reserva 2015 + Quinta do Cardo Síria Reserva 2015 + Quinta do Cardo Vinha de Lomelo 2014 + Quinta do Cardo Rosé Reserva Caladoc 2015 + Quinta do Cardo Reserva Tinto 2014 + Quinta do Cardo Vinha do Castelo 2014

Não sei se felizmente ou se infelizmente, a região da Beira Interior é pouco notada e, por isso, deficientemente valorizada.
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A formulação é retórica. Não é porque sai mais barato ao consumidor que o preço é justo para quem compra – como em tudo na vida – pois alguém não aufere o que deveria, é algo que pessoalmente, é um preconceito moral meu. Para mim, os bons negócios são proveitosos para todos, por isso gostaria que subissem os valores dos vinhos desta região.
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Quando me refiro à região vitivinícola da Beira Interior tenho de realçar que é mais uma excentricidade da nomenclatura burocrática. As duas áreas que permitem a denominação de origem controlada não têm nada a ver. É uma bizarria.
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A que viso neste texto é a setentrional. O solo granítico e os 750 metros de altitude funcionam generosamente no sentido da qualidade. Curiosamente, embora estes, agora comentados, sejam monovarietais, comportam-se dum modo mais interessante e complexo do que muitos monocasta.
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Há muitos anos que os vinhos de síria desta propriedade estão nos meus brancos favoritos. Esta propriedade – localizada mais a Norte – dá vida a vinhos muito minerais e com excelente frescura. Se são muito felizes no nariz, mais o são na boca. Por mim, os brancos tendem a estar acima dos tintos. Do caraças!
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A herança de João Corrêa e Nuno do Ó está bem entregue. A dois grandes enólogos sucederam dois outros de grande competência e, atrevo-me, alguma irreverência: Luís Leocádio e Frederico Vilar Gomes.
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Vou aos brancos.
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O Quinta do Chardonnay Reserva 2015 tem uma qualidade excepcional, mas não me sinto grande fã desta casta francesa em Portugal. Isso vale o que vale e reconheço que tenho bebido alguns com muito bom prazer.
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Aliás, aqui penso tratar-se de desperdício de natureza, pois considero que outras uvas podem dar vinhos mais interessantes e prazenteiros. Realço o que sempre disse: no blogue reina assumidamente o meu gosto pessoal, sendo que evito prejudicar vinhos com qualidade, em que patamar esteja.
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Ora, o Quinta do Cardo Chardonnay Reserva 2015, apesar dos solos e da altitude, pesou-me um pouquinho na boca. Metade fermentou quatro semanas em barricas novas de carvalho francês. O conjunto estagiou por dez meses em madeira, com battonâge quinzenal.
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O Quinta do Cardo Síria Reserva 2015 é um vinho em que a mineralidade quase explode, mas conta, como auxiliares de frescura, notas cítricas e uma finura de ervas de verde feliz – sei lá como explicar, isto das ervas… se as vir poderei mostrá-las.
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Algumas notas fumadas acrescentam-lhe complexidade e aquela gulodice – não é doçura – que nos senta à mesa. Um terço deste vinho fermentou em barricas de carvalho francês. O todo estagiou nessa madeira por dez meses, com battonâge regular – designação da empresa.
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O Quinta do Cardo Vinha de Lomelo 2014 foi todo feito com uvas síria. Fermentou totalmente em barricas de carvalho francês, durante quatro semanas. Estagiou 22 meses em barricas com battonâge regular. Está… está… sei lá…
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Tendo os investimentos enológicos no Cardo Vinha de Lomelo 2014 sido superiores aos do que no Quinta do Cardo Reserva 2015 – certamente também em valor traduzível em euros –talvez seja injusto atribuir-lhes a mesma nota… porém… são regras daqui da casa.
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Agora, o rosado. Blá, blá, blá, os rosés são todos iguais, blá, blá, blá são todos doces, blá, blá, blá o estágio em madeira estraga-os… conversa. Ou seja, três momentos referentes a três grupos de gente preconceituosa.
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Ora, o Quinta do Cardo Rosé Reserva Caladoc 2015 manda calar uma série de gente. Um terço do vinho fermentou em barricas de carvalho francês. Estagiou dez meses em barricas de carvalho francês, com battonâge regular.
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O Quinta do Cardo Reserva Tinto 2014 é um monovarietal de touriga nacional. Certamente pela altitude, climatologia e solos, não lhe senti nem o exagero de violetas, duns locais, nem das compotas e geleias, doutros sítios.
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Fresco, sem a frutinha e as florezinhas que me desgostam, apresenta-se complexo, duradouro e a exigir mesa. Fez a fermentação maloláctica em inox e o vinho seguiu para barricas de carvalho francês durante 20 meses, sendo metade em recipientes novos.
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O Quinta do Cardo Vinha do Castelo 2014 fez-se totalmente com uvas de tinta roriz. Aqui as uvas foram pisadas a pé. Fermentou por oito dias – em recipiente não especificado – e estagiou 22 meses em barricas de carvalho francês.
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Quinta do Cardo Chardonnay Reserva 2015
Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 6/10
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Quinta do Cardo Síria Reserva 2015
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Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 8/10
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Quinta do Cardo Vinha de Lomelo 2014
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Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 8/10
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Quinta do Cardo Rosé Reserva Caladoc 2015
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Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 7/10
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Quinta do Cardo Reserva Tinto 2014
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Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 7,5/10
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Quinta do Cardo Vinha do Castelo 2014
Origem: Beira Interior
Produtor: Agrocardo
Nota: 8/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

sexta-feira, outubro 27, 2017

CARM Branco 2016 + CARM Tinto 2014

O que eu gosto do Douro, de quem o respeita e mantém um patamar regular de qualidade, evitando desilusões – obviamente respeitando as características dos anos.
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Dois vinhos da Casa Agrícola Reboredo Madeira, com sede rural em Almendra, terra de azeitonas e amêndoas. Vinhos com uma quentura que se pressente, mas não escalda, pela sua frescura natural.
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O CARM Branco 2016 fez-se com uvas rabigato (45%), códega do larinho (30%) e viosinho (25%). Este vinho não teve qualquer estágio em madeira, tendo permanecido em cubas de inox.
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CARM Tinto 2014 é resultado da junção de touriga nacional (40%), tinta roriz (30%) e touriga francesa (30%). Este vinho esteve em estágio oito meses em barricas de carvalhos americano e francês.
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Ambos têm frescura, pressentida e verdadeira, no nariz e na boca. O branco é menos complexo, o que não será alheio a não passagem por barricas ou outros xilodepósitos. Confesso-me apreciador de madeira. Achei o branco menos interessante do que o tinto, com maior estrutura e longevidade na boca.
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CARM Branco 2016
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Origem: Douro
Produtor: Casa Agrícola Reboredo Madeira
Nota: 5,5/10
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CARM Tinto 2014
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Origem: Douro
Produtor: Casa Agrícola Reboredo Madeira
Nota: 6,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

terça-feira, outubro 24, 2017

João Portugal Ramos – 25 anos

O que significam 25 anos? A actividade, em nome próprio, de João Portugal Ramos chegou ao quarto de século. Dito só assim, esse tempo não é muito significativo. Todavia, em tal período pode acontecer muita coisa.
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Ser-se um bom profissional implica conhecimento, arma para abordar o fácil, o aborrecido, o complicado… Não sei qual o trabalho em que se sente mais desafiado nem o que sente maior pressão ou tem maior prazer. Seja qual for, reconhecemos-lhe a competência.
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Há um momento de não retorno – em tudo – sob pena de dissabores. Chega-se a um sítio e não se pode recuar – desistência ou afrouxamento significam estatelar-se – nem parar, implicando trabalho difícil e esforçado.
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João Portugal Ramos é responsável por vinhos que, por venderem muito, lhe colocam a responsabilidade de não poder desiludir o consumidor, um peixe muito escorregadio, se não se agarra bem alguém o irá pescar. Ou seja, qualidade e fiabilidade.
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Está também obrigado a fazer vinhos em que se exige a expressão do ano, das suas dificuldades e virtudes, e da terra onde as videiras se prendem.
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O que significam 25 anos? Comecei a ouvir falar de João Portugal Ramos quando ainda era pouco mais do que um miúdo e começara a beber vinho. Nesses anos, não havia muitos enólogos nem os vinhos tinham a qualidade que hoje têm e que, felizmente, existe em todo o país.
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Para mim, mais do que os 25 anos, conta o percurso iniciado em 1980 – tinha dez anos e estava mais a Oriente do que Leste. Obviamente, João Portugal Ramos não inventou o prazer do vinho, mas é um dos que contribuíram para o bom humor dos enófilos.
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Deu um empurrão ao Alentejo e ajudou a criar referências no Ribatejo – à época significava oceanos de vinho a tostão. Multiplicou-se para percorrer o país. O que significam 25 anos? Mais do que a sua empresa ou a qualidade que levou a muitas casas. É a sua soma, ser uma referência. Actualmente está no Alentejo, Beiras, Douro, Tejo e Vinho Verde.
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Faz um dos maiores tintos portugueses – que na minha lista está entre os cinco primeiros: Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria.
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Para uma empresa atingir 25 anos de vida não basta ser-se bom gestor. O produto tem de ser bom e a casa bem gerida. Ninguém tem o dom da ubiquidade nem há super-homens e são poucas as coisas em que um só homem fazer sozinho. João Portugal Ramos tem tido o saber de se rodear por um conjunto de profissionais com grande valência técnica. Perdoem-me todos os outros, mas a aliança com José Maria Soares Franco – outra grande referência – comprova o querer fazer sempre melhor.