Quarta-feira, Maio 15, 2013

Grandes Quintas Tinto Reserva 2010

O Douro é um vale de virtudes. Todos já fizemos perguntas óbvias e com pouco sentido, como: qual é a tua região preferida? Pois, são todas e nenhuma... ok, mas isso é conversa de circunstância. Para os amigos, descoso-me sempre. Sabem que o meu coração pende para o Douro, nos tintos.
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Não gosto de tudo, obviamente, mas noto uma predilecção pelo Douro. Muito por culpa duma casta, que ali nasce como em nenhum lugar. Chamem-lhe caprichosa, difícil, blá, blá, blá... para mim é a grande casta portuguesa. Só não é mais aplaudida, porque todos apontamos para o consenso. Sei que vários enólogos e produtores de renome partilham esta preferência. Às claras elogiam a touriga nacional, mas na surra preferem a touriga franca.
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Quem habitualmente me lê já sabe que amo a touriga franca. Tudo isto a propósito dum vinho onde esta casta dá nas vistas. Não é a que domina o lote, mas é a que mais encanto lhe dá (tem ainda touriga nacional, tinta roriz e tinta barroca).
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No nariz revela notas de cereja e ginja, até um pouco de doce de tomate, mas ainda ervas verdes, esteva, um certo fumo de azinho e terra. Na boca é vigoroso, com fibra, fresco e prometendo boa evolução.
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Origem: Douro
Produtor: Casa de Arrochella
Nota: 7,5/10

Terça-feira, Maio 14, 2013

Quatro Caminhos Tinto Reserva 2009

O que vou dizer não sei se é justo para este vinho. Todavia, a ideia é a de elogiar. Não me lembro deste vinho, mas lembro-me de ter gostado muito.
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Uma amiga, uma ex-namorada, encontrou-me na rua, passados uns bons anos, e ficou à conversa. Tomámos um café e, longe do que nos juntara e fizera separar, reparámos que éramos amigos. A dada altura disse-me: «Sabia que eras divertido, mas não me lembrava». Gostei do elogio, por isso mimetizo-o.
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Lembro-me do jantar, que não me marcou, recordo-me dos amigos, os melhores, os de quase sempre. Do vinho? Não tomei notas e repito o que muitas vezes aqui escrevi: alguém compra um vinho porque tem aromas de baunilha ou de frutos vermelhos? Talvez um enochato, um nerd. Tenho a vontade de escrever para os outros, para os que apenas amam e para os que chegam enganados e apreciam as palavras.
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No entanto, fui ao site do produtor tentar encontrar na ficha técnica as suas características organolépticas. Não dei com nada que o definisse... ainda bem, porque sairia qualquer coisa pouco verdadeira... notas copiadas, por verídicas que sejam, são sempre copiadas.
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Bebi este vinho há uns meses... não sei se tomei apontamentos no bloco de notas do telemóvel que morreu... a garrafa, que ainda aqui está, ostenta a nota que lhe dei. A única informação que consegui recolher foi a minha apreciação em forma de número.
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As notas valem o que valem e valem por quem as dá. Não sou o Parker, apenas um jornalista que escreve sobre vinhos, que não é crítico, e que ousa blogar e fazer crítica, provavelmente egocêntrica e presunçosa. Para mais, a notação é estrambólica, decimal onde o 3 é positivo e o limite, o 10, é aberto ao infinito, como a escala de Richter que mede os abalos.
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Fico-me por aqui. Aceito reprimendas de quem achar por bem penalizar a ausência de descritores e prosa mais concreta. Porém, julgo, que a boa impressão na memória traduz um elogio bastante.
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Casa Agrícola HMR
Nota: 8/10

Segunda-feira, Maio 13, 2013

Novidades da Ravasqueira


O Alentejo consegue ter vinhos de qualidade e com preço acessível. Felizmente para Portugal que a qualidade aumentou muito e de forma consistente. O que é ainda mais verdade quando se tratam de vinhos de preço mais baixo.
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Os vinhos da Ravasqueira são prova disso. Na verdade, quando o produtor surgiu os tiros saíram ao lado. Penso que mais por culpa de quem mandava do que do técnico que os fazia. Como se costuma dizer: albarda-se o burro à vontade do freguês. Adiante, que hoje a coisa é bem diferente.
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Chegaram-me para prova três propostas para o Verão: Monte da Ravasqueira Branco 2012, Fonte Serrana Branco 2012 e Monte da Ravasqueira Rosé 2012. A apreciação é positiva! São vinhos com o Verão na alma.
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Não são vinhos para pensar muito. São amores de Verão, para a danceteria, festas na praia e marisqueira. Vinhos que conjugam com pele escaldada pelo Sol e boca seca do sal. Perigosamente bebíveis.
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Fonte Serrana Branco 2012 é mesmo para fazer conversa. Sem complicações, só para quebrar algum gelo inicial ou encontrar ponto de encontro de interesse. Mostra pêssego e alguma tropicalidade (coisas que não morro de amores) no nariz, na boca é fresco e descontraído.
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O Monte da Ravasqueira Branco 2012 mostra-se, no olfacto, com pêssego, pimenta e salsa. Na boca é fresco e com corpo equilibrado. Com sapateira... miam, miam...
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O Monte da Ravasqueira Rosé 2012 perigosíssimo... não me deixem sozinho com uma garrafa destas num dia de lazer frente ao mar, ou abandonado numa festa na areia. Rosas, são sempre rosas e rosas seduziram sempre e serão sempre sensuais. Aqui está, um vinho todo em rosas, sem qualquer enjoo. Na boca é mais frutinha vermelha, mas ainda assim, rosas.
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Fonte Serrana Branco 2012
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Produtor: Monte da Ravasqueira / Sociedade Agrícola Dom Diniz
Nota: 4/10
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O Monte da Ravasqueira Branco 2012
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Ravasqueira / Sociedade Agrícola Dom Diniz
Nota: 4,5/10
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Monte da Ravasqueira Rosé 2012
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Origem: Regional Alentejano
Produtor: Monte da Ravasqueira / Sociedade Agrícola Dom Diniz
Nota: 5,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.

Domingo, Maio 12, 2013

João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco, e suas novidades

A Primavera é fértil em novidades... e não apenas de flores e passarinhos, reprodução das espécies, abelhas e borboletas, e poemas inspirados. João Portugal Ramos lançou novidades das regiões do Alentejo, Vinho Verde e Douro, e mais Porto, sendo nestas duas últimas designações obra de José Maria Soares Franco, na empresa de ambos, a Duorum Vinhos.
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Contou João Portugal Ramos que um marketeer o tinha, em temos, feito acreditar que devia tirar o seu nome dos rótulos. Hoje, passados uns bons anos, este enólogo e empresário diz ter percebido que devia ter sido exactamente ao contrário. Sendo estes vinhos assumidamente de autor, a assinatura só pode vir estampada nos rótulos.
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A apreciação geral é absolutamente positiva. Porém, os vinhos não são todos iguais, pelo que a apreciação tem mesmo de ser divergente. Já se sabe que este blogue não é uma democracia. Nele manda um déspota que, apesar de tudo, tenta ser justo.
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Primeiro vinho: João Portugal Ramos Alvarinho 2012... um vinho verde diferente do perfil comum. Facto que, só por si, não é mau nem bom. Devo ter um problema... na apresentação todos cantaram laudas a este néctar; elogios e impressões. Contudo, não me deslumbrou. Mas reconheço ser um belíssimo vinho.
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Ora do que não gostei: a madeira, e sua estrutura, e a fruta. É certo que não passou todo por barricas, apenas 20%. No entanto, embora não rasgando, ela está lá e... não é bem Vinho Verde, nem bem outra coisa. É ousado, mas não me deslumbrou. Na fruta, a insistente fruta tropical (socorro). É um vinho elegante de boca e com bom final. Como disse, a minha opinião acerca deste vinho foi divergente, pelo que serei eu a estar errado (?).
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Para mim, a estrela da noite foi o João Portugal Ramos Estremus 2011. Um vinho sedutor e profundo, com corpo e garra. Denso, companheiro de copo, mesa e debate. Um vinho que participa na conversa.
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Este vinho fez-se com uvas trincadeira e alicante bouschet, de vinhas fincadas em terrenos de calcário e muita pedra mármore. A vinha fica junto à vila de Estremoz, e, por pouco, não se transformou numa pedreira, disse o enólogo.
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Não é quente e tem calor. No olfacto sobressaem notas de castanha, amoras e ameixa preta, com vinco de lenha de azinho. Na boca, ocupa espaço, apresenta-se e domina, com frescura, elegância e profundidade. Nos dois sentidos mostra mineralidade, a frescura do mármore.
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Os dois tintos DOC Douro homenageiam um passarinho bonito, que vive do Norte de África até ao Norte da Ibéria. Chama-se chasco-preto, mas em latim é Oenanthe Leucura. Que nome dar a um vinho? Que tal o dum passarinho? E que lembre a «loucura» que está no néctar.
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Pois, O. Leucura lembra mesmo «oh loucura». Aqui a doidice foi ponderada, calculada e desenhada. A loucura é a de fazer dois vinhos duma só vinha, erguida numa encosta, do rio até ao céu. Um veio de videiras plantadas na cota 200 e outro na cota 400.
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São diferentes, os manos, nascidos de uvas touriga nacional e touriga franca, de vinhas velhas. O Cota 200 mostra mais fruta preta e o 400 é mais floral, nomeadamente violetas. Ambos ricos e complexos, são bem estruturados na boca e com longos finais.
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Recomendo a compra dos dois. A comparação à mesa promete agradar a enófilos tarimbados e a amigos menos versados nas coisas do copo. Valerá a pena e dará conversa.
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Por fim, Duorum Vintage 2011. O ano está a revelar-se excelente. Inverno chuvoso no Douro e Verão quente... julgo que serão muitas as casas a declarar vintage. No Nariz tem um ramalhete de violetas e algumas rosas, uns frescos, leves e subtis iodo e musgo, mais madeiras várias e a «obrigatória» esteva. Na boca é robusto e fresco, harmonioso e elegante.
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João Portugal Ramos Alvarinho 2012
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Origem: Vinho Verde
Produtor: João Portugal Ramos
Nota: 6/10
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João Portugal Ramos Estremus 2011
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Origem: Vinho Regional Alentejano
Produtor: João Portugal Ramos
Nota: 8/10
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Duorum O. Leucura Cota 200 2008
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Origem: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Nota: 7
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Duorum O. Leucura Cota 400 2008
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Origem: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Nota: 7,5
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Duorum Vintage 2011
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Origem: Vinho do Porto
Produtor: Duorum Vinhos
Nota: 8,5/10

Sábado, Maio 11, 2013

Duorum Colheita Tinto 2011

A Duorum pode ser uma empresa recente, mas quem a faz anda há muitos anos nisto. Daí não ser de estranhar a regularidade da qualidade dos vinhos, o seu perfil fiável, ou seja, acerto. Numa parceria com João Portugal Ramos, José Maria Soares Franco é quem comanda as operações no Douro. Quer um quer outro andam nas andanças do vinho há décadas.
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Este Duorum mantém-se fiel ao estilo da casa, é um vinho com personalidade do Douro, com elegância e frescura. Estas duas características são importantes de realçar, pois muitas vezes saem do Douro verdadeiros xaropes, pesados e alcoólicos. Tratando-se dum vinho proveniente duma quinta da sub-região do Douro Superior, essas virtudes são ainda mais notáveis.
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As castas são a touriga franca (40%), touriga nacional (40%) e tinta roriz (20%). As proporções são as mesmas da edição de 2010. Porém, achei a touriga franca aqui mais escondida... se a memória não me falha.
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Origem: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Nota: 6,5/10
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Nota: Este vinho foi enviado para prova pelo produtor.

Sexta-feira, Maio 10, 2013

Legado 2009

Ufa! O que dizer deste vinho? Numa palavra: fabulástico... Mas só isto não basta, pelo que: vou tentar ser conciso, já que não parece bem só escrever aquela palavra de dez letras.
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Legado pretende transmitir o conhecimento e responsabilidade de Fernando Guedes, o (sempre) patrão da Sogrape à geração seguinte. É um vinho com assinatura. Não é uma homenagem, é um atestado de responsabilidade, testemunho do patriarca.
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A Sogrape tem, através da sua empresa Ferreirinha, dois clássicos: o Reserva Especial e o Barca Velha. Então e este? A empresa de Avintes quis separar as águas; uma coisa é a Ferreirinha e outra a casa-mãe, a Sogrape. É um vinho inter-pares do Reserva Especial, na qualidade e no preço.
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É a segunda vez que esta marca sai para o mercado e desta vez assinala também os 70 anos da maior vinícola portuguesa. As uvas saíram dum talhão de vinhas velhas, da Quinta de Caedo, localizada na sub-região duriense do Cima Corgo. As vinhas são centenárias e produzem uns escassos 500 gramas por cepa.
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O Legado 2009 tem o Douro dentro, mas não um Douro qualquer. Distancia-se do padrão mais moderno e comum, que muitas vezes se pode tornar cansativo. Este não poderia estar mais longe.
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No nariz mostra avelã, amêndoa, alguma noz, trufas, figo maduro, ameixa preta, uma finíssima compota, notas fumadas, notas balsâmicas... ui! Na boca é um Rolls Royce em movimento de passeio: uma elegância! Bem estruturado e elegante, mostrando o solo de xisto, com nuances de várias especiarias.
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A palavra terroir está na moda. Está a banalizar-se. Mas se é alguma vez bem aplicada, esta é uma delas. Um grande vinho, que mostra bem do que nasceu, donde nasceu e do que souberam fazer com ele.
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Origem: Douro
Produtor: Sogrape
Nota: 9/10

Quinta-feira, Maio 09, 2013

Eusébio 2008

Nasci numa geração marcada pelo Eusébio, nome maior do futebol português. Na verdade, marcada pela ausência de Eusébio, pois saiu do Sport Lisboa e Benfica em 1975 (tinha eu cinco anos), rumo Rhode Island Oceaneers. Passou depois outros clubes dos Estados Unidos e um do Canadá. Mas Eusébio marcou a minha geração, qualquer jogador que brilhasse era sempre comparado com o Pantera Negra. Como um fantasma, sempre presente.
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Embora regressado a Portugal, na época de 1976/77, ao simpático Beira-Mar, não mais teve a glória do seu clube do coração e onde conheceu o seu apogeu. Porém, este clube de Lisboa nunca o esqueceu, dando-lhe um lugar na estrutura, estatuto VIP e uma estátua à entrada do estádio.
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Nascido em Moçambique, antiga colónia portuguesa, deu nas vistas e depressa foi cobiçado por dois clubes de Lisboa. Consta a estorieta de que era para vir para o Sporting Clube de Portugal... ficou no Benfica, ponto final. Polémica à parte, só tenho pena que não tenha vindo para o meu Belenenses, onde jogara o fabuloso Matateu, herói da juventude de Eusébio.
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Ora, o que aqui importa é o vinho com o nome do craque português, um tinto da região do Alentejo, da colheita de 2008. Apresentado no restaurante do Estádio da Luz, este vinho revelou virtudes que bem homenageiam esta antiga glória.
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O Eusébio 2008 fez-se com uvas (alicante bouschet, cabernet sauvignon e trincadeira) provenientes de vinhas cultivadas em terreno xistoso, que maceraram por dez dias. Fez a fermentação maloláctica em barricas novas de carvalho francês, carvalho americano e de castanho. Estagiou depois durante 12 meses nessas madeiras. Após esse período, descansou por 36 meses em garrafa.
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É um vinho pujante, com garra! Não tanto pelo embate dos seus 14,5 graus de álcool, mas pela sua estrutura. Tem raça, para a qual contribui uma leve adstringência. Na boca revela-se ainda equilibrado, elegante e com final longo. No nariz mostra-se complexo, com notas de cereja madura, pimentão e pimenta rosa.
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Este vinho tem uma edição limitada a mil garrafas, com preço de venda ao público recomendado de 37,50  euros. Visto ser um vinho de homenagem, abstenho-me de dar nota. Todavia, recomendo-o.
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Origem: Alentejo
Produtor: Adega de Borba
Nota: X

Domingo, Abril 28, 2013

Cinco quadros de colecção

Domingos Soares Franco deve divertir-se à brava a fazer vinho. Ok, há o trabalho chato de todos os dias no escritório (laboratório, sala de provas, atender jornalistas, ir a conselho de administração, ouvir marketeers e pessoal de I&D), em que se tem de olhar só para números e parâmetros, provar e provar amostras... azaritos! Os dias cinzentos tocam a todos e ainda assim o mundo avança. Depois, o mestre dá ideia de que vai para a casa, no carro a bombar alto a música, inventar coisas que há-de enfiar numa garrafa.
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Estes vinhos parecem-me provar isso mesmo. Domingos Soares Franco e sua equipa não têm de prestar provas. Fora o ramerrame há mundo: praia, amigos, amores, família, cinema, romantismo, flores, chocolates... e a Colecção Privada é para enófilos que relativizam, que falam doutras coisas, mas ainda e também de vinho. Com os amigos, é giro conversar sobre vinhos destes. Têm para dizer. São lúdicos, educativos e nada aborrecidos.
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Avanço com o que gostei menos: Domingos Soares Franco Colecção Privada Moscatel Roxo 2012. Já na colheita anterior esperava outra coisa... não percebo o que faz neste calendário Pirelli. É um bom vinho, não haja dúvidas, mas... mas a colecção é do camarada Domingos e ele é que sabe.
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O Domingos Soares Franco Colecção Privada Moscatel Roxo 2012 vacila entre a fruta suave e as flores... ou melhor, da lichias às rosas... e lichias é fruta que cheira a flores... ou isso. Belo, mas (como referi), se fosse eu o enólogo, não o meteria na colecção de cromos. Mas o mestre sabe mais a dormir do que eu com dez cafés.
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O Domingos Soares Franco Colecção Privada Verdelho 2012 tem uma piada: tem verdelho (95%) e verdejo (5%). Ora, é aqui que o enófilo pode animar um pouco o jantar. Esta coisinha das duas castas com nome tão parecido, que até parece portunhol, permite várias coisas: sorriso cúmplice da mulher, olhar orgulhoso da mãe, irritação do palerma que se conheceu ao jantar, sedução da miúda que é namorada do palerma anterior e motivo para justificar o não conseguir dizer coisa com coisa no final do repasto.
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Ora, este Domingos Soares Franco Colecção Privada Verdelho 2012 tem prunídeos (continuo sem saber escrever esta palavra, vai assim mesmo) e espargos brancos. Fixe! Adoro espargos! Na boca é prolongado e fresco.
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O Domingos Soares Franco Colecção Privada Castas Branco 2012  um pópurri (potpourri). A conjugação das castas faz subir de nível o grau de dificuldade da experiência de mostrar aos amigos o vinho que se levou para o jantar: listão da madeira, merlot blanc furmint e palomino fino.
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Trata-se dum vinho com graça, que conjuga a fruta tropical (que regra geral dispenso), com a fruta tropical com interesse (abacaxi) e com a decente pêra. Bom vinho para servir antes da sobremesa, quando a barriga diz basta e a boca pede algo, quando os ouvidos pedem palavras.
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O Domingos Soares Franco Colecção Privada Grüner Veltliner, Rabigato e Viognier 2012 é ainda um outro nível. Quando chega já as miúdas que se acabaram de conhecer estão: uma numa discreta discussão com o namorado, outra perdida indisfarçadamente pelo apresentador e duas com vontade verdadeira de saber mais acerca das três castas do lote.
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Belo! Tem mineralidade, o que mais me ocorre. Diz o enólogo que há alperce, sinceramente passou-me ao lado. Mas melão e meloa, esses são frutos abundantes e benvindos, que haja mais gente a fazer vinho branco além da tropicalidade... diz ainda o mestre: «capucho». Qual? O tomate de capucho, dos Açores, também conhecido por physalis? Lá acidez tem, mas não chegaria a tanto.
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Por fim, o Domingos Soares Franco Colecção Privada Syrah e Touriga Francesa 2011, um tinto de duas castas que gosto bastante, com domínio (95%) da francesa... a que não é touriga, entenda-se.
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O nome deste vinho é mais uma alfinetada de Domingos Soares Franco, que percebeu haver um buraquinho que um burocrata deixou aberto e adoptou a designação antiga desta touriga. Não sei se isso é bom ou se é mau; o que sei é que é a minha casta tinta favorita. Sendo a predilecta, quase me atrevo a pedir uma maior dose.
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Bem! Chocolate preto, com ameixa preta, daquelas que embora em passa não transbordam de doce, avelãs, amoras, terra seca, restolho, algum húmus... ai, e tanta coisinha que 5% dão ao todo...
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Domingos Soares Franco Colecção Privada Verdelho 2012
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Origem: Regional Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 7/10
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Domingos Soares Franco Colecção Privada Castas Branco 2012
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Origem: Regional Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 6,5/10
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Domingos Soares Franco Colecção Privada Grüner Veltliner, Rabigato e Viognier 2012
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Origem: Regional Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 7/10
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Domingos Soares Franco Colecção Privada Moscatel Roxo 2012
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Origem: Regional Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 5/10
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Domingos Soares Franco Colecção Privada Syrah e Touriga Francesa 2011
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Origem: Regional Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Nota: 7,5/10
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Nota: Estes vinhos foram enviados para prova pelo produtor.